Internacional

Rota para entender aperto regulatório da China começa pela Alemanha

País asiático migrou do “american way” para o “german way”, escreveu Chen Li, estrategista Soochow Securities, em apresentação compartilhada nas redes sociais

Especialistas discutem recente aperto regulatório no setor corporativo
Por Tom Hancock
17 de Agosto, 2021 | 02:29 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Com o objetivo de entender o aperto regulatório do governo da China, alguns economistas buscaram pistas em uma inspiração improvável: a Alemanha.

A China migrou do “American way” para o “German way”, escreveu Chen Li, estrategista sênior da corretora Soochow Securities, em apresentação recente amplamente compartilhada nas redes sociais chinesas.

A regulamentação ao estilo alemão atrai a China de várias maneiras, diz Chris Leung, economista-chefe para a China do DBS Group. A Alemanha tem grandes bancos estatais, um forte setor de exportação de manufaturados e não enfrenta uma crise financeira desde a Segunda Guerra Mundial.

“A saída de Pequim do modelo anglo-saxão já começou”, escreveu Leung em relatório na segunda-feira. “O modelo alemão é um forte concorrente como modelo orientador de desenvolvimento.”

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Embora a analogia com a Alemanha tenha seus limites, há pelo menos três áreas de convergência que valem a pena destacar: regras antitruste, ênfase na manufatura em relação ao setor de serviços e abordagem para a educação.

Antitruste

O governo chinês tenta encolher o poder de mercado das maiores empresas privadas nos setores de tecnologia e imobiliário, atualizando regulamentos antitruste para incluir serviços de Internet. Empresas de tecnologia - incluindo duas das maiores histórias de sucesso da economia privada da China, Alibaba e Tencent - perderam centenas de bilhões de dólares em valor de mercado desde o início escrutínio no ano passado.

Na semana passada, a China prometeu dar continuidade a esse projeto, com mais regulamentos para garantir o “desenvolvimento saudável de novas formas de negócios” relacionadas à economia digital. Embora alguns economistas digam que tais regras obscurecem as perspectivas econômicas da China, a Alemanha demonstrou que é possível construir uma economia avançada sem gigantes da tecnologia de consumo.

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Há um reconhecimento de que “empresas como Facebook e Twitter não contribuem necessariamente para o bem comum e que o modelo de negócios consiste em operar em um espaço de baixa regulamentação”, disse Rogier Creemers, professor de estudos chineses da Universidade de Leiden, nos Países Baixos. “É daí que vem a ideia ‘queremos ser como a Alemanha’.”

A China consultou especialistas alemães enquanto redigia suas regulamentações antimonopólio, disse Peter Hefele, responsável pelo departamento da Ásia-Pacífico da Konrad-Adenauer-Stiftung, uma fundação afiliada ao partido de centro-direita União Democrata Cristã da Alemanha. “Copiaram muito da legislação alemã.”

Manufatura

A China quer se tornar uma economia desenvolvida sem perder sua base industrial. O plano econômico quinquenal do governo de Pequim divulgado em março não traz nenhuma meta para a proporção do consumo da economia, mas promete manter a parcela gerada pela manufatura “basicamente estável” em 25%.

Isso ecoa o modelo alemão, onde a manufatura responde por cerca de 18% do PIB em comparação com cerca de 11% nos EUA, de acordo com o Banco Mundial.

“A admiração vem da ideia de que a Alemanha nunca desistiu de seu núcleo industrial e que este pode ser mais importante do que o setor de serviços”, disse Doris Fischer, responsável por negócios e economia da China na Universidade de Würzburg.

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O programa “Made in China 2025” de Pequim, com foco na expansão da manufatura doméstica nos segmentos de tecnologia, foi inspirado no projeto Indústria 4.0 da Alemanha. Embora o governo chinês tenha minimizado esse programa após uma reação liderada por Washington, a guerra comercial com os EUA apenas acelerou suas ambições por mais autossuficiência industrial.

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