Desigualdade será grande tema em Jackson Hole, diz veterano

“O aumento da desigualdade econômica é importante para os títulos, porque é um dos motores estruturais de longo prazo que têm contribuído para que os juros fossem tão baixos”, diz Steven Major

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Bloomberg — O que autoridades monetárias dirão sobre a desigualdade econômica na conferência de Jackson Hole neste mês é potencialmente mais importante para investidores de títulos do que qualquer comentário sobre redução do estímulo, de acordo com um veterano do mercado.

Steven Major, responsável por pesquisa de renda fixa do HSBC, disse que indicadores para abordar a crescente desigualdade entre ricos e pobres poderiam influenciar um fator-chave por trás de décadas de ganhos no mercado de títulos: que os ricos são mais propensos a investir o excesso de caixa em dívida do que gastá-lo.

É um risco que muitos investidores parecem ignorar antes da conferência anual de autoridades monetárias, argumenta Major, observando que o tópico oficial do evento este ano é “Política Econômica em uma Economia Desigual”. Até agora, o foco tem sido antecipar uma possível redução no ritmo de compras de títulos pelo Federal Reserve.

“Os investidores devem se certificar de não prestar atenção apenas nas conversas sobre redução do estímulo”, escreveu Major em relatório de terça-feira. “O aumento da desigualdade econômica é importante para os títulos, porque é um dos motores estruturais de longo prazo que têm contribuído para que os juros fossem tão baixos”.

O alerta de Major surge em meio a um crescente escrutínio de autoridades sobre como anos de política monetária ultrafrouxa inflaram os preços dos ativos a níveis recordes, ao mesmo tempo em que aumentaram a desigualdade social. O índice de Gini, uma medida da desigualdade de renda, mostra que a diferença de riqueza entre ricos e pobres nos Estados Unidos está perto do maior nível desde o início da coleta dos dados no fim da década de 1960.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no entanto, enfrenta oposição de alguns progressistas, segundo os quais ele não teria voz suficiente sobre o impacto do banco central na distribuição de renda. O programa de compra de ativos do Banco da Inglaterra também tem sido criticado por parlamentares do Reino Unido por beneficiar os ricos.

Neste contexto, analistas do Deutsche Bank destacaram um aumento das menções de “desigualdade” nos discursos de autoridades monetárias, uma mudança em relação ao foco anterior na inflação. Investidores também tomam nota, em parte para cumprir os padrões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), mas também por causa do impacto da igualdade nos retornos do mercado.

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