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Kashkari, do Fed, quer ver mais dados sólidos de emprego

Autoridades lideradas pelo presidente do Fed, Jerome Powell, afirmaram que continuarão as compras no ritmo atual até que a economia tenha feito “progresso substancial”

“Não estou convencido de que estávamos realmente com emprego máximo antes do choque da Covid"
Por Matthew Boesler
16 de Agosto, 2021 | 08:35 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Mais alguns relatórios de emprego sólidos nos próximos meses marcariam progresso suficiente da recuperação do impacto da pandemia para permitir que o banco central dos EUA comece a reduzir o programa de compra de títulos, disse o presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari.

“Se virmos mais alguns relatórios de emprego como o que acabamos de receber, então me sentiria confortável em dizer sim - talvez sem preencher completamente o buraco no qual estamos -, mas fizemos muito progresso e, agora, será hora de começar a reduzir nossas compras de ativos”, disse Kashkari em entrevista a Joe Weisenthal e Tracy Alloway no podcast “Odd Lots” da Bloomberg, gravado em 9 de agosto.

O Fed atualmente mantém a taxa de juros de referência perto de zero e tem comprado US$ 120 bilhões em Treasuries e títulos lastreados em hipotecas como parte de um programa lançado no ano passado - no início da pandemia - para apoiar a economia ancorando os juros no longo prazo.

Autoridades lideradas pelo presidente do Fed, Jerome Powell, afirmaram que continuarão as compras no ritmo atual até que a economia tenha feito “progresso substancial” em direção às metas de emprego e inflação, que muitos acreditam serão atingidas nos próximos meses.

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Essas expectativas foram reforçadas em 6 de agosto por um relatório com fortes dados do mercado de trabalho em julho, que mostraram um segundo mês seguido de criação de empregos superior a 900 mil vagas, levando o déficit total de pessoas empregadas em relação aos níveis pré-pandemia para cerca de seis milhões.

Kashkari, desde que ingressou no Fed em 2016, tem mostrado consistentemente uma postura mais inclinada ao afrouxamento monetário. Em junho, a última vez que as autoridades do Fed publicaram projeções para as taxas de juros, Kashkari foi um dos cinco membros do Comitê Federal de Mercado Aberto, de 18 membros, que avaliou não ser apropriado começar a aumentar os juros antes do fim de 2023.

‘Humildes’

Embora o FOMC esteja apenas buscando “progresso adicional substancial” em direção ao pleno emprego antes de começar a encerrar seu programa de compra de títulos, disse que não começará a elevar os juros antes que o pleno emprego seja alcançado. De acordo com Kashkari, isso pode significar níveis ainda mais elevados de emprego como proporção da população do que os prevalecentes imediatamente antes do início da pandemia.

A relação emprego/população para americanos em “idade produtiva” - com idades entre 25 e 54 anos - atingiu a máxima de 80,5% em 19 anos em janeiro de 2020. Mas dados sobre salários e produtividade em 2019 e no início de 2020 “não sugeriam”, uma aceleração da inflação no curto prazo, disse Kashkari.

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“Não estou convencido de que estávamos realmente com emprego máximo antes do choque da Covid. Então, é exatamente por isso que quero que sejamos realmente humildes ao declarar: ‘Isso é o melhor que pode ser’”, disse.

Conseguir a participação da força de trabalho e taxas de emprego “pelo menos de volta ao que estavam antes, mas não necessariamente declarando vitória quando conseguirmos isso - acho que é uma coisa razoável para tentarmos alcançar”.

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