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Agro

Seu cafezinho vai continuar ficando mais caro

A pandemia e as condições climáticas no Brasil, maior produtor de café do mundo, devem afetar preços da commodity, mas os consumidores não devem deixar de comprar

Em todo o mundo, o consumo de café é bastante sólido, e, com o aumento dos preços, muitos consumidores devem simplesmente migrar para opções mais baratas
Por Fabiana Batista e Marvin G. Perez
09 de Agosto, 2021 | 12:10 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — O preço de uma xícara de café continua subindo, mas ninguém parece se importar.

Os preços de grãos arábica subiram 50% nos últimos 12 meses, chegando a altas de sete dígitos em julho, após a seca e a geada terem danificado as safras do maior produtor – o Brasil – e sinalizaram uma queda na oferta mundial por no mínimo dois anos. A recuperação começa no momento em que os altos custos de frete e a escassez de contêineres continuam abalando as cadeias de suprimento globais, diminuindo as margens e aumentando as preocupações com a inflação.

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Muitos negócios que lidam com o consumidor devem fazer uma escolha difícil: aumentar os preços ou utilizar grãos mais baratos.

Qual é a boa notícia? Os consumidores de café estão tão viciados que o consumo não deve ser afetado, principalmente com a demanda ainda em recuperação da pandemia.

A bebida é “uma parte tão essencial das rotinas [dos consumidores], que seria difícil mudar os hábitos de café”, afirmou Darren Seifer, analista do setor de alimentos e bebidas na empresa de pesquisas NPD Group. Os clientes estão “acostumados” com a volatilidade dos preços, acrescentou.

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Neste ano, o consumo mundial de café deve chegar a 168,8 milhões de sacos de 60 kg, segundo o Rabobank International, um aumento em comparação aos 164,8 milhões de sacos no período anterior.

O mercado mundial deve se expandir a uma taxa anual composta de 9% nos próximos três anos, chegando a “bem mais de US$ 400 bilhões”, disse a Starbucks. Na Ásia – o mercado de café com crescimento mais rápido – o consumo aumentará devido a rendas mais altas e o surgimento da cultura do café na China, Índia e Indonésia, segundo a Fitch Solutions.

A demanda por café não é absolutamente inabalável: a pandemia trouxe a primeira queda desde 2011.

Contudo, enquanto os preços mais altos este ano possam afetar a recuperação pós-pandemia, o consumo não vai diminuir, disse o analista da Rabobank Guilherme Morya.

Os preços deveriam chegar a mais de US$ 4 por libra para começarem a afetar o consumo, segundo Sterling Smith, diretor de pesquisa agrícola da AgriSompo North America. Até lá, os consumidores sensíveis ao preço podem buscar cafés mais baratos ou fazer o próprio café em casa, acrescentou.

O impacto será diferente entre as regiões, disse Vanusia Nogueira, diretora da Associação Brasileira de Cafés Especiais. Os consumidores de países produtores, como o Brasil, tendem a ser mais sensíveis ao preço, segundo Vanusia, ao passo que consumidores de café de lugares mais ricos, como a Europa e os EUA, são menos afetados. Já existe uma mudança rumo ao grão robusta, mais barato no Brasil, segundo a Rabobank.

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Para empresas como a Starbucks, os grãos de café representam uma pequena porção dos custos gerais, em comparação a custos trabalhistas e aluguéis. Ainda assim, a maior cadeia de cafeterias do mundo está sofrendo pressões inflacionárias.

“A precificação será apenas uma de muitas alavancas que utilizaremos para compensar os ventos desfavoráveis”, afirmou a empresa, incentivando os consumidores a adquirir itens mais caros, como alimentos e bebidas geladas.

O diretor-presidente da Nestle AS, Mark Schneider, disse que a “especialidade do café e a alta dos preços” proporcionam algumas opções para a fabricante do Nespresso e do Nescafé. “Quando adequado, vamos aumentar os preços”, afirmou.

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Alguns negócios podem tentar estratégias como menos refis gratuitos ou a redução do peso dos pacotes sem alterar o preço, disse Judy Ganes, presidente da J. Ganes Consulting.

Para cafeterias menores, cobrar mais pode ser mais fácil que alterar o sabor do cafezinho dos fregueses mais fiéis.

“Alguns de nossos clientes consomem [nossos cafés] há muitos anos. Se mudarmos a qualidade, eles vão perceber”, disse Marissa Crocetta, gerente da Algerian Coffee Stores, de Londres, que vende café desde 1887.

“Se [os preços do café cru] aumentarem drasticamente, juntamente com todos os outros custos, teremos de aumentar nossos preços”.

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