Internacional

Pesquisadores sugerem necessidade de vacinas contra cepa delta

Os países mais vacinados do mundo, Estados Unidos, Reino Unido e Israel, enfrentam alta de casos de Covid e hospitalizações relacionadas à delta

Placa recomenda vacinação em Bolton, na Inglaterra
Por Tim Loh
04 de Agosto, 2021 | 10:12 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Vacinas com foco na variante delta podem ser necessárias devido à capacidade da cepa de infectar pessoas com imunidade em queda e de provocar quadros graves de Covid-19, disseram pesquisadores que lideram um grande estudo na Inglaterra sobre vacinas contra o coronavírus.

Uma terceira onda de casos na Inglaterra foi impulsionada pela cepa delta entre pessoas não vacinadas - especialmente na faixa de 12 a 24 anos - assim como entre algumas que foram imunizadas, de acordo com autores de um estudo realizado com cerca de 98 mil pessoas. A eficácia das vacinas para prevenir a infecção durante o período do estudo caiu para 49%, estimaram os pesquisadores, em relação a 64% no mês anterior. A proteção dos imunizantes contra o desenvolvimento de sintomas de Covid ficou em 59% frente a 83%.

“O desenvolvimento de vacinas contra a delta pode ser justificado” em razão das evidências de menor eficácia dos anticorpos produzidos pelos imunizantes atuais contra a mutação da proteína spike da cepa, disseram os pesquisadores.

Estados Unidos, Reino Unido e Israel estão entre os países mais vacinados do mundo, mas todos enfrentam alta de casos de Covid e hospitalizações relacionadas à delta. Autoridades de saúde dos EUA fazem apelos aos que ainda hesitam para que se vacinem na tentativa de controlar a propagação do coronavírus, que poderia levar a mutações mais perigosas.

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Apesar disso, as vacinas atuais continuam a oferecer um grau relativamente alto de proteção, dizem pesquisadores de instituições no Reino Unido. Pessoas com regime completo de vacinação têm três vezes menos probabilidade de se contagiar com a delta do que os não imunizados e menos probabilidade de sofrer casos de Covid-19 sintomática ou de transmitir o vírus a outras pessoas se forem infectadas, de acordo com o estudo.

O estudo, chamado React-1, analisou resultados dos testes da Covid de 24 de junho a 12 de julho. O período corresponde aproximadamente ao aumento de casos no Reino Unido. A delta tomou o lugar da cepa alfa, identificada pela primeira vez no sul do país e que provocou caos no inverno passado.

A reinfecção de pessoas com imunização completa se torna uma questão cada vez mais importante em países com altas taxas de vacinação. É uma preocupação que ainda afeta uma pequena parte do mundo, já que apenas 13% da população global está totalmente imunizada, a maioria no mundo desenvolvido, segundo os autores.

As infecções durante o período do estudo tiveram maior impacto entre os jovens do país, com cerca da metade dos testes positivos identificados em pessoas entre 5 e 24 anos. Essa faixa etária representa apenas 25% da população da Inglaterra, de acordo com o relatório, que ainda não foi revisado por pares.

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A divisão por idade sugere que intervenções direcionadas a pessoas mais jovens podem ter um impacto “desproporcional” na desaceleração das ondas de Covid, escreveram os autores. Ao vacinar pessoas entre 12 e 17 anos, por exemplo, autoridades de saúde poderiam “reduzir significativamente o potencial de transmissão no outono”, quando as interações sociais entre grupos aumentam, disseram.

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