ESG

Para onde realmente vai todo o dinheiro dos títulos verdes?

Instituições financeiras foram um dos principais impulsionadores, emitindo quase US$ 97 bilhões em dívida verde no primeiro semestre de 2021

Cabe aos emissores explicar o impacto climático dos projetos que estão financiando
Por Tim Quinson
04 de Agosto, 2021 | 08:05 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Títulos verdes estão praticamente em toda parte.

No primeiro semestre de 2021, esses instrumentos - cujos recursos são destinados a atividades ambientais “elegíveis” - foram emitidos em 29 moedas e 49 países. Cinco anos atrás, os títulos verdes estavam disponíveis em apenas 16 moedas e 24 países, de acordo com analistas da BloombergNEF.

A emissão geral está se aproximando de um recorde histórico, com cerca de US$ 294 bilhões levantados na venda de títulos verdes nos primeiros seis meses deste ano, pouco antes do recorde de US$ 309 bilhões vendidos durante todo o ano de 2020.

Diante disso, toda essa arrecadação de fundos deve parecer uma boa notícia para o meio ambiente. Mas a realidade - como costuma ser o caso quando se trata de financiamento ESG - é que é difícil dizer para onde está indo todo esse dinheiro de títulos verdes.

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“É difícil saber como os recursos dos títulos verdes estão sendo usados pois não há nenhuma exigência obrigatória para fazê-lo e nenhuma maneira padronizada de fazê-lo”, afirma Maia Godemer, associada de finanças sustentáveis da BNEF em Londres. “Isso impede que o mercado avalie o benefício ambiental da dívida verde.”

A EnBW Energie Baden-Wuerttemberg AG está entre as poucas empresas que publicam dados transparentes sobre o uso de fundos de títulos verdes. O que a companhia de energia alemã revelou é esperançoso.

A EnBW divulgou em seu relatório de impacto de 2020 que a maior parte dos lucros de suas vendas de títulos verdes - cerca de dois bilhões de euros (US$ 2,4 bilhões) no total desde 2018 - foram alocados para ajudar a produzir eletricidade a partir de suas usinas eólicas e solares e evitar as emissões de dióxido de carbono. A empresa disse que planeja investir um total de cerca de 12 bilhões de euros em projetos amigáveis ao clima entre 2021 e 2025.

Apesar da transparência limitada dos emissores, Peter Ellsworth, diretor sênior da Ceres Investor Network, argumentou que o mercado de títulos verdes está “fazendo um bom trabalho de autorregulação”.

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“Se um título verde não atender às expectativas”, explicou Ellsworth, “esse emissor enfrentará um escrutínio adicional se tentar emitir outro.”

Cabe aos emissores explicar o impacto climático dos projetos que estão financiando, e cabe aos investidores determinar se esse uso dos recursos merece chamar um título de “verde”, disse Ellsworth.

A Europa continua sendo o mercado mais aquecido para dívida verde. Cerca de 53% dos títulos verdes vendidos no primeiro semestre deste ano foram de emissores na Europa, Oriente Médio e África.

Instituições financeiras foram um dos principais impulsionadores, emitindo quase US$ 97 bilhões em dívida verde no primeiro semestre de 2021. As maiores vendas foram feitas pelo Groupe BPCE da França (US$ 1,84 bi), seguido pelo DNB Bank ASA da Noruega (US$ 1,82 bi) e pelo Intesa Sanpaolo SpA da Itália (US$ 1,49 bi).

Nenhuma dessas empresas estava entre as maiores recebedoras de taxas por organizar transações de títulos verdes, no entanto. Essa categoria era liderada pelo JPMorgan Chase & Co. (US$ 81,2 milhões em taxas), BNP Paribas SA (US$ 76,6 milhões) e Citigroup Inc. (US$ 75 milhões), segundo dados compilados pela Bloomberg.

Já no câmbio, o yuan da China foi classificado como a terceira moeda mais popular depois do euro e do dólar americano, segundo a BNEF. O won sul-coreano ficou em sexto.

Finanças sustentáveis em resumo

  • O presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Gary Gensler, afirmou que proporá regras de risco climático até o final do ano.
  • As declarações de gestores de fundos sobre ESG estão passando por um teste de credibilidade, com lacunas sendo descobertas.
  • O apoio da BlackRock está sendo buscado em uma tentativa de encerrar uma greve em uma mina de carvão de cinco meses.
  • O fundo de carbono comemora seu primeiro aniversário com US$ 540 milhões e sem saídas.
  • Um planeta em aquecimento significa que 83 milhões enfrentarão a morte devido ao calor durante o século 21.

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