Internacional

Para membro do BCE, não há pressa de indicar futuro de estímulo

Martins Kazaks, membro do Conselho do Banco Central Europeu, recomendou paciência aos investidores quanto ao apoio emergencial

Reunião de setembro do BCE deve ser sessão crucial para examinar a economia da zona do euro
Por Aaron Eglitis
04 de Agosto, 2021 | 08:18 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Martins Kazaks, membro do Conselho do Banco Central Europeu, manda um recado aos investidores: não esperem um sinal da instituição sobre o futuro das compras de títulos da pandemia em setembro.

Com quase 600 bilhões de euros (US$ 713 bilhões) restantes para gastar pelo menos até o fim de março, prazo para o fim do programa, seria muito cedo para tomar uma decisão sobre estender ou descontinuar as compras, disse Kazaks em entrevista. Os casos de Covid-19 voltaram a subir em grande parte da região, ameaçando novas restrições que poderiam prejudicar a recuperação.

“Devido à incerteza, ao tempo restante, não há necessidade de decidir sobre isso”, disse Kazaks, que também é presidente do banco central da Letônia. “Vamos discutir isso, mas, no momento, ainda seria prematuro.”

Autoridades do BCE definiram a reunião de setembro - quando novas previsões estarão disponíveis - como uma sessão crucial para examinar a economia da zona do euro e as perspectivas e começar a debater o estímulo monetário pós-pandemia.

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Kazaks recomendou paciência aos investidores quanto aos resultados sobre quando ou como o apoio emergencial será retirado. A próxima oportunidade para uma decisão sobre o assunto depois de setembro seria a reunião do BCE em 28 de outubro.

“É muito improvável que, no final de março de 2022, digamos: ‘é isso, fizemos nosso trabalho e o encerramos’”, disse Kazaks. “Gostaríamos de alertar os mercados com antecedência, mas apenas o quanto for razoavelmente possível.”

Os riscos para as perspectivas econômicas aumentaram recentemente. Empresas do setor de serviços estão particularmente preocupadas com o fato de que a propagação da variante delta, que é mais contagiosa, possa levar a novas restrições. A atividade no setor cresceu em ritmo mais lento do que o inicialmente divulgado em julho, segundo pesquisa com gerentes de compras.

Depois de uma revisão de 18 meses, o BCE está em processo de implementação de uma nova estratégia para elevar a inflação. No mês passado, a instituição se comprometeu a não elevar os juros até que a nova meta de 2% para a alta dos preços ao consumidor apareça de forma sustentável nas projeções do banco central, uma mudança de tom que, com base nas previsões atuais, adia ainda mais um aperto monetário.

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A meta ligeiramente mais alta - anteriormente o BCE tinha como alvo inflação abaixo, mas próxima de 2% - e a orientação atualizada geraram expectativas entre economistas se a instituição iria intensificar o estímulo para alcançar o objetivo.

Kazaks sugeriu que, caso haja alguma mudança, esta será refletida no prazo, não no ritmo do apoio.

“Se demorar mais para que a inflação chegue a 2% de forma sustentável, então sim, isso significa que os aumentos virão mais tarde”, afirmou.

Ao mesmo tempo, o compromisso do BCE com as taxas ajudará os mercados financeiros a entender e prever melhor a política monetária futura, disse. “E é muito provável que a maior clareza possa de fato empurrar a inflação para 2% mais cedo e, assim, reduzir a necessidade de apoio de políticas.”

Kazaks rebateu críticas de outros membros do BCE, como Jens Weidmann e Pierre Wunsch, de que o compromisso da instituição com os juros cobre um período muito longo.

“Nosso forward guidance (orientação futura) atual sobre as taxas é uma visão equilibrada sobre como podemos reagir quando vemos a inflação se aproximando de 2%. Isso é atar muito nossas mãos e muito a longo prazo? Acho que não”, disse Kazaks. “Se acharmos que isso não é apropriado para a situação econômica, podemos ajustar nossa orientação futura.”

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