Internacional

Bares, restaurantes e casas de show começam a exigir comprovante de vacina nos EUA

Iniciativas da sociedade civil visam dar segurança para clientes e permitir abertura de locais públicos

Vestida como Maxine the Vaccine, Poppy Champlin incentiva os pedestres a se vacinarem
Por Carey Goldberg
31 de Julho, 2021 | 11:13 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O presidente Joe Biden e outras lideranças políticas dos EUA estão tentando recuperar o tempo perdido com mandatos de vacinação contra a Covid-19. Já os donos de estabelecimentos comerciais em Provincetown, Massachusetts, estão muito à frente.

Na cidade turística repleta de bandeiras arco-íris localizada no extremo de Cape Cod, a clientela já precisa mostrar comprovante de imunização para assistir aos shows de drag queens na Pilgrim House, para dançar nas matinês do Boatslip Beach Club, para tomar cerveja na Provincetown Brewing Company ou para fazer limpeza de pele no Jonathan Williams Salon and Spa.

Provincetown lamenta ter sido palco de um dos primeiros grandes surtos da variante delta, mesmo com uma população altamente vacinada. O município passou a exigir o uso de máscara em lugares fechados esta semana, dias antes da mesma decisão ter sido tomada por Washington e Kansas City. Os donos de estabelecimentos da cidade estão na vanguarda dos esforços do setor privado para reerguer as defesas contra a Covid. Enquanto isso, Biden tenta outro plano para impulsionar a vacinação no país, que vinha perdendo velocidade.

“Eu não controlo o governo local, mas controlo meu negócio”, disse Ken Horgan, gestor da Pilgrim House, que passou a exigir comprovante de vacinação de todos os que frequentam seu hotel, restaurantes e shows de drag queens. No último levantamento, Provincetown contabilizava mais de 880 casos da doença em uma cidade onde a população no verão é de cerca de 60.000 pessoas.

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Iniciativas da sociedade civil para exigir prova de vacinação vêm surgindo nas últimas semanas em restaurantes, bares e casas de entretenimento por todo o país. Um exemplo é o Gramercy Tavern, em Nova York. Mas o avanço da variante delta acelerou esses esforços, especialmente em cidades com grande concentração de homossexuais, como Provincetown e São Francisco.

Na quinta-feira, mais de 500 bares de São Francisco exigiam prova de vacinação ou teste de Covid negativo recente. Em Provincetown, é difícil encontrar uma boate que não exija a prova de vacinação.

A resistência tem sido mínima, segundo Horgan. Alguns poucos hóspedes cancelaram reservas e ele ouviu comentários desagradáveis. Mas, “95% das pessoas não estão apenas dispostas, mas felizes em mostrar o comprovante”, disse ele, acrescentando que muitos moradores de Provincetown estão revoltados com a presença de turistas não vacinados.

O recado é simples, ele disse: “Vacine-se ou não venha para cá.”

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As lembranças de sofrimento e morte durante a epidemia de Aids dão impulso aos requisitos de vacinação em locais LGBTQ. No bar Eagle NYC, em Chelsea, o coproprietário Derek Danton conta que um homem protestou do lado de fora, argumentando que a regra era semelhante a pedir prova de exame negativo de HIV durante a crise da Aids.

“Absolutamente não é a mesma coisa”, disse Danton, 62 anos. “Eu gostaria que houvesse uma vacina naquela época.”

Segundo ele, os que não querem mostrar comprovante de imunização geralmente nasceram após a crise da Aids, quando as casas noturnas se uniram no combate ao HIV, distribuindo material educativo, preservativos e informações sobre exames. “Eles se sentem invencíveis — eles não sabem o impacto que o vírus teve nesta comunidade porque não viveram aquilo”, disse Danton. “Estamos tentando liderar dando o exemplo.”

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