Internacional

Deutsche, SocGen ficam entre os mais fracos em teste de estresse

Cenários pressupõem longo período de juros baixos e intensa contração da economia durante três anos

Maior banco alemão tem performance fraca em teste de estresse
Por Steven Arons
30 de Julho, 2021 | 07:56 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Deutsche Bank e Société Générale se destacaram como os mais fracos entre os grandes bancos europeus em um teste de estresse que as autoridades reguladoras irão consultar quando avaliarem os planos das instituições para compensar seus investidores.

No caso do banco alemão, o índice de capital nível 1, uma das métricas mais importantes de solidez financeira, caiu 620 pontos base para 7,4% em um cenário adverso que pressupõe um longo período de juros baixos e intensa contração da economia durante três anos. O índice do Société Générale caiu 562 pontos-base para 7,5% na avaliação da Autoridade Bancária Europeia, publicada na sexta-feira.

“O Deutsche Bank mostra resiliência em uma potencial crise econômica mesmo em um cenário mais difícil e desfavorável”, afirmou o diretor financeiro, James von Moltke, em comunicado. Ele ressaltou que o aumento do lucro do banco no primeiro semestre de 2021 não foi considerado no teste.

O estudo da Autoridade Bancária Europeia com 50 bancos da região não resulta em aprovação ou reprovação, mas orienta o Banco Central Europeu e outros órgãos reguladores sobre as necessidades de capital do sistema financeiro, bem como a adequação dos dividendos e bônus pagos aos funcionários dos bancos que supervisionam.

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O BCE anunciou no início deste mês que as condições econômicas melhoraram o suficiente para reverter as restrições sobre dividendos em setembro.

O cenário adverso delineado pela Autoridade Bancária Europeia mostrou que, após a pandemia, os bancos de modo geral estão melhor preparados para lidar com uma grave crise econômica do que há três anos. O índice CET1 agregado chegou a 15% no final do ano passado, o mais alto desde a introdução dos testes. O índice ficou em 10,2% no cenário adverso, ligeiramente melhor do que na última rodada de simulações, realizada três anos atrás.

“Os bancos continuaram construindo sua base de capital”, escreveu a Autoridade Bancária Europeia em comunicado divulgado na sexta-feira. “Isso foi alcançado apesar da queda sem precedentes do PIB da União Europeia e dos primeiros efeitos da pandemia de Covid-19 em 2020.”

No entanto, a autoridade também mencionou o desempenho disperso dos bancos individuais. Os mais prejudicados foram aqueles focados em atividades domésticas ou com menor renda gerada por juros.

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Para Deutsche Bank e SocGen, os resultados mostraram queda mais acentuada do que em testes anteriores. O índice CET1 do Deutsche Bank recuou para 8,1% no teste de 2018 e estava em 7,8% na análise de 2016. O índice do SocGen caiu para 7,6% e 7,5% nos testes passados.

As regras de capital exigem que os bancos mantenham índice CET1 mínimo de 4,5%, além de outras proteções (buffers) que podem ser ajustadas pelos reguladores conforme a necessidade.

O índice CET1 do Banca Monte dei Paschi di Siena ficou negativo em 0,1% no cenário adverso, o pior desempenho entre as instituições avaliadas. O banco mais antigo do mundo ainda é propriedade do governo italiano após um pacote de resgate, mas existem negociações em curso para uma aquisição pelo UniCredit, de acordo com comunicado enviado na quinta-feira.

O BNP Paribas, que foi duramente atingido pelas restrições aos dividendos impostas pelo BCE, viu o índice cair para 8,2%, ligeiramente melhor do que os resultados de SocGen e Deutsche Bank. O BNP está entre 10 grandes bancos da Zona do Euro com mais de 22 bilhões de euros reservados para compensar os acionistas, de acordo com cálculos da Bloomberg. Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, ING Groep, Intesa Sanpaolo e Nordea Bank também têm grandes reservas com essa finalidade.

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