O brasileiro anda bebendo mais cerveja na pandemia do que na Copa do Mundo, mostram dados da Ambev

Entregas do Zé Delivery crescem e ajudam companhia a aumentar volume de vendas

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São Paulo — Se o consumidor não vai ao bar, o bar vai ao consumidor. Os dados da Ambev do segundo trimestre, divulgados hoje, provam isso e vão além. A companhia atingiu um número recorde de compradores de cerveja, superando até o volume de vendas da bebida em anos de Copa do Mundo.

O Zé Delivery, plataforma online da companhia voltada ao consumidor, entregou mais de 15 milhões de pedidos entre abril e junho, triplicando o volume na comparação com o segundo trimestre do ano passado. No Brasil, a Ambev viu o volume de cerveja registrar uma taxa de crescimento de dois dígitos: 12,7%.

A companhia driblou as dificuldades impostas pela crise sanitária não só no Brasil, mas em toda sua área de atuação global.

“No consolidado de 12 meses, a Ambev entregou um volume recorde de 177 milhões de hectolitros, apesar de bares e restaurantes ainda não terem voltado às operações normais na maioria dos países e de uma recuperação econômica heterogênea”, analisou relatório da XP.

A apresentação de novidades aos fãs de cerveja também ajudou a vender mais no período.

“As inovações estão potencializando nosso crescimento, representando mais de 20% do faturamento, liderado Brahma Duplo Malte. Nosso portfólio de marcas premium cresceu aproximadamente 35%, impulsionado por Corona, Becks, Stella Artois e Original”, destacou a Ambev em seu balanço.

A aposta em canais eletrônicos, que agilizam as vendas diante da ausência de contatos presenciais, se mostrou positiva para o resultado trimestral.

“Iniciativas como o BEES, nossa plataforma digital de vendas B2B, continuaram a expandir rapidamente em diferentes países. No Brasil, o BEES agora é usado por mais de 70% dos nossos clientes ativos”, citou a Ambev.

“Nossa fintech Donus, que tem como foco ajudar pequenos e médios clientes, chegou a 80 mil clientes”, informou a companhia.

Apesar da performance positiva no primeiro semestre, o caminho futuro da lucratividade apresenta riscos, como o comportamento da inflação e do câmbio.

“A pressão de custos segue como principal desafio, com preços altos para a maioria das matérias-primas e real desvalorizado frente ao dólar, variáveis que afetam todas as empresas do setor. No entanto, por meio de suas iniciativas de inovação (BEES, Zé Delivery, Donus), capilaridade comercial, base de clientes atomizada e processo contínuo de desenvolvimento de portfólio, especialmente no core-plus, acreditamos que a AmBev continua a superar seus pares”, avaliou a XP.

O reajuste nos preços da cerveja contribuiu para o maior faturamento da empresa, que teve um lucro de R$ 2,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 130% na comparação anual.

“Acreditamos que a pressão de custos que a Ambev está enfrentando com as matérias-primas será positiva para os resultados no futuro, pois está permitindo que a empresa aumente os preços, que historicamente se fixam / continuam a aumentar mesmo quando os custos caem, impulsionando os lucros futuros”, avaliou a corretora Ágora, do Bradesco, acrescentando, em nota que, os preços da divisão de cerveja no Brasil subiram 12% frente ao segundo trimestre do ano passado.

Questões ambientais na produção de cerveja também estão no radar da Ambev, como apontou Rodrigo Figueiredo, Diretor de Sustentabilidade e Suprimentos da companhia, no balanço. Ele destacou a meta de eficiência hídrica da empresa: consumir menos de dois litros de água por litro de cerveja produzida em áreas com escassez hídrica até 2025.