Internacional

Dominicanos recebem 3ª dose enquanto Covid-19 avança no Haiti

O país mais pobre do hemisfério ocidental recebeu a primeira remessa de vacinas contra a Covid-19 apenas em 14 de julho

Haiti tem uma das campanhas mais lentas da região
Por Francesca Maglione
27 de Julho, 2021 | 04:39 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — De um lado da ilha de Hispaniola fica o Haiti, um dos últimos países do hemisfério ocidental a vacinar a população com a primeira dose contra a Covid-19. Do lado oposto, a República Dominicana é uma das primeiras nações a oferecer uma terceira dose.

O país de quase 11 milhões de habitantes tem pressa em administrar doses de reforço à medida que a pandemia se intensifica no vizinho pobre, desafiando críticas de organizações globais de saúde de que ainda não há evidência científica de que sejam necessárias.

A República Dominicana conduziu uma das campanhas de imunização mais intensas da América Latina, usando principalmente a vacina da Sinovac para proteger quase 50% da população com pelo menos uma dose. Mas os residentes começam a questionar a eficácia da Coronavac em comparação com as vacinas de RNA mensageiro. Desde que o governo disse em 30 de junho que forneceria doses de reforço de RNAm, quase 289 mil pessoas foram vacinadas pela terceira vez, incluindo o presidente da República Dominicana, Luis Abinader.

Já o Haiti tem umas campanhas de vacinação mais lentas da região. Ainda sob o impacto do recente assassinato do presidente Jovenel Moïse, o país mais pobre do hemisfério ocidental recebeu a primeira remessa de vacinas contra a Covid-19 apenas em 14 de julho.

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Enquanto outros países relativamente ricos ainda tentam usar todo o estoque de vacinas, muitas nações pobres estão praticamente sem imunizantes. Países de baixa renda representam quase 20% da população global, mas receberam apenas 2% das vacinas, de acordo com o rastreador da Bloomberg.

Arthur L. Caplan, diretor da divisão de ética médica do sistema de saúde Langone da NYU, disse que os países mais ricos devem ajudar a combater o coronavírus, que não respeita fronteiras.

“Houve alguns exemplos de compartilhamento de vacinas com um vizinho, mas não muitos”, disse Caplan. “Falhamos em distribuir os suprimentos de que dispomos aos mais necessitados. Isso é uma falha moral total.”

A ilha caribenha de Hispaniola, compartilhada pela República Dominicana e pelo Haiti, é um microcosmo da disparidade global.

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No início da pandemia, o Haiti fechou as fronteiras e manteve cidadãos relativamente seguros, enquanto a República Dominicana, que se apoia no turismo - quase 10 vezes mais rica - se tornou um epicentro. Há um ano, registrava mais casos do que qualquer outro país caribenho. Agora, os países trocaram de lugar.

As nações têm um relacionamento historicamente complexo. Muitos haitianos viajam para o leste em busca de trabalho e melhores condições de vida, e a imigração ilegal é um dos principais fatores que contribuem para a tensão. Caplan acredita que o Haiti pode gerar novas variantes com potencial de escapar pela fronteira com a República Dominicana.

A República Dominicana se une a Bahrein, Indonésia e Tailândia, que decidiram reforçar as campanhas da Sinovac e da Sinopharm com vacinas de RNAm, embora especialistas concordem que os imunizantes chineses reduzem hospitalizações e mortes de maneira eficaz.

O gabinete da vice-presidente da República Dominicana, Raquel Peña, que supervisiona o programa de vacinas, não respondeu às perguntas sobre a iniciativa da terceira dose.

O Haiti só iniciou a campanha de vacinação de seus 11 milhões de habitantes depois do assassinato do presidente em 7 de julho, que ainda está sob investigação em meio à violência e instabilidade política.

Números oficiais mostram que o Haiti registrou quase 20 mil casos de Covid-19 e mais de 500 mortes, mas médicos reconhecem que esses números são muito subestimados. O Haiti tem registrado altas taxas de hospitalização e mortalidade, e abrigos lotados podem se tornar focos de transmissão da doença.

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