Europa tem uma das maiores ondas de reajuste de preço do século

Empresas têm acelerado os aumentos para lidar com a crescente pressão dos custos e gargalos de produção

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(Bloomberg) Empresas na Europa têm acelerado os aumentos de preços para lidar com a crescente pressão dos custos e gargalos de produção, o que reforça expectativas de que a inflação mais alta possa trazer problemas para a economia.

Na sexta-feira, uma pesquisa mostrou que em julho as companhias elevaram os preços em um dos ritmos mais rápidos deste século. Os dados reforçam o coro de executivos de diversos setores, que sentem a pressão dos preços das matérias-primas e das cadeias de suprimentos complicadas que elevaram os custos de transporte.

“De certa forma, todos os custos aumentaram”, disse o CEO da ABB, Bjoern Rosengren, em entrevista à Bloomberg Television esta semana. “Sim, estamos repassando parte disso para nosso cliente, mas também tentando tornar nossas operações mais eficientes.”

Grande parte da pressão inflacionária está relacionada à rápida recuperação da demanda com a reabertura das economias depois das restrições da Covid-19. Isso provocou problemas na cadeia de suprimentos e obrigou empresas a pagar mais por matérias-primas essenciais. A dificuldade em aumentar a produção após a recessão em 2020 também causou escassez em vários setores, sendo os semicondutores um dos exemplos mais conhecidos.

Entre as empresas que subiram os preços está a Unilever, segundo a qual o petróleo e o óleo de palma, bem como custos de frete, justificaram a decisão de cobrar mais por vários produtos. A fabricante de tintas e revestimentos Akzo Nobel, fornecedora da Apple e BMW, disse que já aumentou os preços em 4,5% e planeja novos reajustes este ano.

“Nossos preços estão se acelerando à medida que tomamos medidas para compensar o impacto”, disse o diretor-presidente da Unilever, Alan Jope.

Na sexta-feira, a IHS Markit destacou o problema dos atrasos na cadeia de suprimentos e prazos de entrega mais longos na zona do euro. O quadro é semelhante no Reino Unido, onde salários e despesas com transporte ajudaram a elevar os custos médios no ritmo mais rápido desde a década de 1990.

Apesar dos sinais de perigo inflacionário, a visão consensual entre bancos centrais globais é que a aceleração da inflação será transitória.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, manteve essa visão na quinta-feira, quando a instituição reforçou a promessa de continuar injetando estímulos monetários e prometeu não retirar o apoio prematuramente. Assim como na pesquisa da Markit, Lagarde também observou que os gargalos travam a produção e que há “um longo caminho a percorrer antes que os danos à economia causados pela pandemia sejam neutralizados.”

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