(Bloomberg) -- Para defender sua soberania, a Austrália está preparada para o impacto das medidas comerciais da China, disse o ministro do Comércio australiano, Dan Tehan, mesmo com os esforços para retomar o diálogo com o governo de Pequim.
“Se tivermos que pagar um preço econômico por isso, é algo que estamos dispostos a pagar”, disse Tehan em entrevista em Washington, onde participa de reuniões com o governo Biden para tentar encontrar uma resposta às ações da China. “No final das contas, nossos valores são muito importantes, e algo que devemos proteger acima de tudo.”
As tensões começaram em 2018, quando o governo australiano impediu a Huawei Technologies de construir uma rede 5G, e se intensificaram no ano passado, quando o primeiro-ministro Scott Morrison liderou os apelos para uma investigação independente sobre as origens do coronavírus em Wuhan. O governo chinês respondeu com uma série de ações comerciais punitivas que atingiram produtos como carvão, cevada, lagosta e vinho.
“Há uma ação coletiva que todos podemos tomar em relação a lidar com a coerção econômica”, disse Tehan sobre a melhor forma de reagir. “Acho que temos que ver se podemos desenvolver outras ferramentas para lidar com isso.”
Chamar atenção para a ação do governo de Pequim em fóruns como a Organização Mundial do Comércio garante que haja um “elemento de reputação” para a China, disse, acrescentando que a necessidade de outras ferramentas fez parte das conversas com autoridades dos EUA nos últimos dias. Embora os EUA tenham dito que não vão deixar a Austrália sozinha na batalha, por enquanto não foram além da retórica.
Ainda assim, a comunicação direta seria a melhor maneira de resolver os problemas, disse Tehan. Em janeiro, ele enviou “uma longa carta” ao ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, estabelecendo “maneiras pelas quais poderíamos cooperar e as áreas que precisávamos discutir”. Ainda não recebeu resposta.
O impacto das ações punitivas da China foi de certa forma atenuado - exceto pelas empresas e agricultores diretamente impactados - pelo aumento do preço do minério de ferro, que o governo chinês não consegue suprir nas quantidades de que precisa sem a Austrália.
Mas as perspectivas de reconciliação parecem limitadas no curto prazo.
Perguntado sobre a perda de participação de mercado dos produtos agrícolas australianos na China, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse em coletiva de imprensa este mês: “Não permitiremos que nenhum país colha os benefícios de fazer negócios com a China enquanto acusa e difama injustamente a China”.
Nesta semana, EUA, Austrália e outras nações formalmente atribuíram um ataque de hackers contra o Microsoft Exchange a agentes vinculados ao governo chinês e acusaram a liderança de Pequim de várias “atividades cibernéticas maliciosas”.
Tehan disse que a resposta foi importante, porque não era apenas a Austrália, mas um grupo de países dizendo que “essa atividade precisa parar e que existem maneiras melhores de nos envolvermos” uns com os outros.
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