VW aumenta meta de lucro com aumento nas vendas de baterias e software

Maior montadora da Europa tem uma meta de 8% a 9% de retorno operacional sobre vendas até 2025

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Bloomberg — (Bloomberg) – A Volkswagen AG aumentou sua meta de lucratividade de cinco anos ao aprimorar os planos de se tornar a líder em carros elétricos e lucrar com o que espera ser um novo e intenso fluxo de receita proveniente de software.

A maior montadora da Europa tem uma meta de 8% a 9% de retorno operacional sobre vendas em 2025, alta em relação aos percentuais anteriores de 7% a 8%. Após encantar investidores com um briefing sobre suas baterias no estilo da Tesla Inc., em março, o Diretor-Presidente Herbert Diess está explicando melhor os planos da VW de descontinuar os motores a combustão e equipar seus carros com sistemas de software que permitam a condução automatizada e possam ser atualizados por Wi-Fi.

“Estabelecemos uma meta estratégica de nos tornarmos a líder no mercado global de veículos elétricos – e estamos indo bem”, disse Diess em uma declaração. “A próxima mudança, muito mais radical, é a transição para carros muito mais seguros, inteligentes e finalmente autônomos”.

Os principais interessados apoiaram o plano de ação de Diess na semana passada, quando o conselho fiscal ampliou o contrato do antigo executivo da BMW AG até 2025. Ele está reorganizando o vasto grupo VW para atender às regras de emissões mais rígidas e manter a Tesla e outros concorrentes afastados, planejando abrir algumas fábricas de baterias na Europa e trocando as linhas de montagem globalmente para construir a mais ampla gama de veículos elétricos do setor.

As ações ordinárias da VW – já com uma alta de 70 pontos percentuais neste ano – caiu menos de 1 ponto percentual na bolsa de valores de Frankfurt. O índice Stoxx 600 Automobiles & Parts subiu cerca de 23 pontos percentuais neste ano.

Os destaques da estratégia de Diess para 2030 divulgada para investidores na terça-feira incluem:

  • Obter uma participação de 1,2 trilhões de euros (US$ 1,42 trilhões) de vendas de software que a VW espera ampliar no mercado geral de mobilidade global para 5 trilhões de euros até 2030, em comparação com os 2 trilhões de euros atualmente.
  • Aumentar a parcela de investimento total em eletrificação e ofertas digitais; a VW já reservou 73 bilhões de euros para essas áreas para uso até 2025 – metade dos gastos gerais.
  • Gastar 800 milhões de euros em uma nova unidade de pesquisa em Wolfsburg – onde está sediada a empresa alemã – que irá projetar uma nova plataforma de veículos elétricos que será disponibilizada a outras montadoras.
  • Montar veículos elétricos menores na Espanha, mas as decisões finais dependerão da garantia de subsídios e de outros fatores.

Panorama de veículos elétricos

Diess, de 62 anos, compartilha a visão otimista de um executivo sênior quanto às perspectivas do aumento nas vendas de veículos elétricos durante o governo Biden, que propôs gastos de US$ 174 bilhões em estações de carregamento, descontos para consumidores e outras medidas de apoio.

“O plano de Biden nos proporciona uma oportunidade única para partir de uma posição melhor que a de nossos concorrentes”, afirmou Diess. “Nunca houve um momento no qual estivemos em uma posição melhor para aumentar significativamente nossa participação de mercado”.

Na Europa, a VW anunciou que sua sócia chinesa para baterias, a Gotion High-Tech Co., unirá forças com sua segunda fábrica de baterias em Salzgitter, na Alemanha. A VW já afirmou que a primeira fábrica será construída pela startup sueca Northvolt AB, detida majoritariamente pela VW. A empresa espera finalizar uma terceira fábrica na Espanha e declarou aos funcionários alemães que está finalizando os planos de acrescentar outra unidade em seu mercado interno.

A marca homônima da VW já disse que planeja parar de vender carros a combustão na Europa entre 2033 e 2035, posteriormente seguido pelos EUA e pela China. A Audi possui uma demanda contínua por motores a combustão na China após 2033, mas pretende descontinuá-los em outros mercados até lá.

Embora os veículos elétricos não sejam tão lucrativos quanto os carros a combustão no momento, a VW espera uma paridade geral em dois ou três anos. Os pares norte-americanos General Motors Co. e Ford Motor Co. também ficaram mais otimistas quanto às margens de modelos alimentados por bateria.

Transformação autônoma

Mesmo com o foco em veículos elétricos, Diess afirmou repetidamente que as funções de software e piloto automático trarão uma transformação ainda maior do setor, com carros que se tornarão dispositivos sofisticados conectados.

A VW planeja oferecer piloto automático nos principais mercados do mundo, auxiliada parcialmente pela cooperação com a Ford Motor Co. e a afiliada Argo AI LLC. Na China, maior mercado da VW, a montadora buscou parcerias com empresas locais de tecnologia para serem as primeiras a oferecerem o piloto automático, majoritariamente em carros particulares.

A fabricante continua em bases sólidas para financiar suas ambições. O lucro operacional no primeiro semestre chegou a 11 bilhões de euros – acima dos níveis pré-pandemia – afirmou a VW na semana passada, com fluxo de caixa líquido de 10 bilhões de euros.

Contudo, o resultado da escassez global de semicondutores pode ser mais acentuado durante o segundo semestre. Analistas também advertiram sobre uma desaceleração do negócio da VW na China e a baixa demanda inicial pelos carros elétricos ID da marca VW no país.

" Por enquanto, o produto ID da VW ainda tem muito problemas sérios”, afirmou o analista da Sanford Bernstein, Arndt Ellinghorst, em um relatório de 9 de julho. O negócio interno de motores a combustão da empresa “precisa ser gerenciado de forma socialmente aceita enquanto as capacidades de fabricação de baterias e software são internalizadas”.

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