Internacional

Reino Unido diz que sintomas prolongados de Covid atingem 3 a cada 50 adultos

Possíveis impactos da chamada ‘Covid longa’ preocupam cientistas

Cientistas ainda não chegaram a um consenso quanto a incidência da Covid longa
Por Eamon Akil Farhat
21 de Julho, 2021 | 10:39 am
Tempo de leitura: 1 minuto

Bloomberg — Dados do Reino Unido apontam que cerca de 6,2% de sua população adulta, ou 3,5 milhões de pessoas, sofre os efeitos prolongados do coronavírus, prejudicando o bem-estar e a capacidade de trabalhar.

O Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês) do país divulgou que seis em cada dez dos entrevistados que afirmaram ter sido afetados pela chamada ‘Covid longa’ disseram que a doença prejudicava seu bem-estar geral, e metade afirmou que a condição afetava seu trabalho.

Os números sugerem um impacto de longa duração, tanto financeira quanto socialmente, do vírus que atingiu o Reino Unido pela primeira vez no início de 2020. O primeiro-ministro Boris Johnson removeu a maioria das restrições para conter a propagação de infecções nesta semana, embora novos casos estejam crescendo em ritmo acelerado desde que o governo ordenou um terceiro lockdown nacional em janeiro.

“Encontramos mais pessoas com possíveis impactos negativos de longo prazo causados pela Covid”, afirmou Tim Vizard, diretor de pesquisa do ONS, em um comunicado na quarta-feira. “É necessário mais trabalho para separar os efeitos da Covid longa de uma variedade de fatores, como idade, gênero ou deficiência.”

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Não há uma definição universalmente aceita para a Covid longa. O governo britânico no início desta semana lançou um estudo com o Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde para desenvolver novos diagnósticos e ferramentas de tratamento.

“A Covid longa pode ter efeitos graves e debilitantes a longo prazo para milhares de pessoas em todo o Reino Unido, o que pode tornar a vida diária extremamente desafiadora”, disse o secretário de Saúde Sajid Javid no início desta semana.

A Covid longa é mais prevalente em regiões carentes. A idade é outro fator importante, com pessoas com menos de 50 anos vendo um risco maior de efeitos duradouros da doença.

Parece afetar mais os jovens, o segmento da população que ainda não foi vacinado completamente contra o vírus. Isso poderia agravar as faltas na força de trabalho, que as empresas de hospitalidade têm reclamado, que chegou a forçar a redução de negócios.

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Mais de 120 cientistas alertaram sobre os riscos do plano do governo em uma carta para a revista médica “Lancet” em 7 de julho, afirmando que “corremos o risco de criar uma geração com problemas crônicos de saúde e deficiências, cujos impactos pessoais e econômicos poderão ser sentidos nas próximas décadas.”

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