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Finanças pessoais

Será que o ouro vai subir ainda mais? Entenda o papel do metal como hedge da inflação

Commodity é basicamente um porto seguro que a lógica convencional sugere que deveria sofrer quando a economia está muito aquecida

Investidores debatem perspectivas para o ouro
Por Eddie Spence e Nishant Kumar
27 de Maio, 2021 | 10:38 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

(Bloomberg) – Justo quando a vacinação e o otimismo econômico deixavam o ouro parecendo uma coisa do ano passado, ele ensaia uma recuperação.

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Ele é uma das commodities de melhor desempenho neste mês, apagando quase todas as perdas do ano. Os investidores têm sido atraídos de volta pelo apelo do ouro como hedge contra a inflação, enquanto o Federal Reserve mantém seu estímulo monetário e afirma que as pressões inflacionárias deverão ser temporárias. O preço do ouro no mercado à vista (spot) subiu 0,4% na sexta-feira, coroando uma valorização de quatro semanas consecutivas.

Diego Parrilla, que gerencia o fundo Quadriga Igneo, está entre aqueles que recentemente aumentaram sua exposição ao ouro, alegando que os bancos centrais não arriscarão aumentar as taxas de juros para combater a inflação por temerem “furar as bolhas enormes” que eles criaram. “Entramos num novo paradigma que será dominado por taxas de juros reais profundamente negativas, inflação alta e juros nominais baixos – um ambiente extremamente favorável ao ouro”, diz Parrila, que gerencia US$ 350 milhões.

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Mesmo assim, o ouro é basicamente um porto seguro que a lógica convencional sugere que deveria sofrer quando a economia está muito aquecida. Portanto, poderá este novo rali ser sustentado?

A questão da inflação

Esta vem sendo a maior questão das finanças neste ano, e provavelmente a maior para o ouro: as atuais pressões inflacionárias serão passageiras ou persistentes?

Se você perguntar ao Fed, a resposta será a primeira. Partes do mercado de bônus discordam, com medidas de mercado neste mês levando em conta as expectativas de inflação de longo prazo atingindo o mais alto grau desde 2013.

Esse é um ponto ideal para o ouro, que se beneficia quando a política monetária mantém as taxas dos bônus baixas mesmo com a persistência da inflação. Os rendimentos reais dos Treasuries caíram mais para o território negativo recentemente, aumentando o apelo do ouro.

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A direção que eles tomarão em seguida será crucial. Qualquer sinal de que o Fed poderá interferir por causa da inflação ou do mercado de trabalho, poderá levar a uma alta das taxas dos bônus – desencadeando uma repetição do taper tantrum (surto de redução das compras de títulos) visto na esteira da crise financeira, quando o ouro caiu 26% no espaço de seis meses.

“A posição em que eu acho que você chega é um lugar em que a coisa fica bastante vulnerável para a narrativa do taper tantrum”, diz Marcus Garvey, diretor de estratégia de metais da Macquarie Group Ltd. Por outro lado, qualquer coisa que arrastar a economia mundial – seja números ruins de emprego ou novas variantes do vírus – deverá resultar em uma queda real dos rendimentos, beneficiando o metal.

Condutor do dólar

O dólar tem sido outro importante condutor do ouro neste ano. Após se valorizar inicialmente depois que o programa de vacinação dos Estados Unidos tomou a dianteira do resto do mundo, ele caiu desde março, depois que outras nações preencheram essa lacuna, proporcionando ventos favoráveis para o metal precioso.

A maior parte dos analistas não vê muita movimentação do dólar pela frente, com a previsão média compilada pela Bloomberg sugerindo apenas um leve fortalecimento.

Se eles estiverem errados, seja por causa da divergência na recuperação global, seja por políticas agressivas dos bancos centrais de outros países, as implicações para o ouro poderão ser significativas.

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Demanda do investidor

O fraco começo de ano do ouro se deu com os fundos negociados em bolsas de valores (ETFs) cortando suas posições no metal em 237 toneladas nos quatro meses até abril. Hedge funds negociados na Comex também reduziram suas exposições ao menos nível desde 2019 no começo de março.

No segundo trimestre, os fluxos começaram a reverter. Se isso ganhar força, o ouro poderá valorizar mais.

“Ainda há em potencial muita demanda reprimida por investimentos”, afirma Ole Hansen, diretor de estratégia de commodities do Saxo Bank A/S. “Mesmo assim, as posições são relativamente pequenas.”

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Outros, como Robert JanVan Der Mark da Aegon NV, que reduziu sua exposição ao ouro em novembro, depois que as vacinas foram anunciadas, ainda precisam ser convencidos.

“Com as vacinações em andamento e as economias reabrindo, temos um apetite menor por ativos do tipo porto seguro/estagflação no portfólio”, explica ele.

O salto do bitcoin

O bitcoin é frequentemente alardeado como o ouro digital e sua valorização nos primeiros meses do ano foi desmoralizante para aqueles que apostavam no ouro. Os dois ativos são preferidos por aqueles que temem a hiperinflação e a desvalorização cambial, de modo que o desempenho superior da criptomoeda pode ter virado a cabeça de pretensos compradores de ouro.