Finanças pessoais

Bilionários aproveitam explosão de fortunas para financiar doações recordes

Maior salto entre os doadores americanos veio de fundações, com um total de US$ 88,6 bilhões em 2020

Jack Dorsey, cofundador do Twitter e fundador da Square, prometeu doar até US$ 1 bilhão para o alívio contra a Covid-19
Por Suzanne Woolley
07 de Fevereiro, 2021 | 05:18 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

(Bloomberg) Americanos doaram um recorde de US$ 471,4 bilhões para instituições de caridade dos EUA em 2020, grande parte vinda de fortunas construídas em tecnologia. A contagem filantrópica, cuja origem é cerca de 70% em Pessoas Físicas, foi estimada em alta de 3,8% contra 2019, após ajuste pela inflação, segundo pesquisa anual do Giving USA.

O maior salto veio de fundações, que somaram US$ 88,6 bilhões em doações, uma alta de 15,6% em 2020. Indivíduos doaram cerca de US$ 324,1 bilhões, aumento de 1%. Doações corporativas - que tendem a acompanhar lucros corporativos e o crescimento ou declínio econômico mais amplo - caíram 7,3%, para US$ 16,9 bilhões.

“Foi um ano sem precedentes em muitos aspectos”, afirmou Una Osili, reitora associada de pesquisa e programas internacionais da Lilly Family School of Philanthropy. “Em março, tínhamos desemprego recorde, mas à medida que avançávamos para o final do ano, tornou-se um dos melhores períodos já registrados para os mercados financeiros, e isso tem implicações para doações de caridade, porque as pessoas doam mais quando se sentem financeiramente seguras.”

Uma das explosões mais notáveis de doação veio de MacKenzie Scott, romancista e ex-esposa do fundador da Amazon Inc., Jeff Bezos, que canalizou US$ 6 bilhões para uma ampla gama de instituições educacionais e comunitárias. Na terça-feira, ela divulgou ter doado outros US$ 2,7 bilhões.

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“Estamos tentando doar uma fortuna que foi habilitada por sistemas que precisam de mudança”, disse.

Em uma postagem no Medium em julho de 2020, Scott anunciou US$ 1,7 bilhão em doações para organizações sem fins lucrativos que incluíam faculdades e universidades historicamente negras, bem como grupos que apóiam a igualdade racial, igualdade de gênero e mobilidade econômica. Scott então pediu a uma equipe de consultores para ajudá-la a “acelerar o apoio imediato às pessoas que sofrem os efeitos econômicos da crise” e, em dezembro de 2020, anunciou doações de quase US$ 4,2 bilhões para 384 organizações.

Jack Dorsey, cofundador do Twitter Inc. e fundador da Square Inc, também causou sensação no mundo da filantropia em 2020, quando prometeu colocar até US$ 1 bilhão de sua participação na Square, uma corporação de responsabilidade limitada para financiar o alívio global da Covid-19. Mais recentemente, Dorsey doou US$ 2,9 milhões que arrecadou com a venda de seu primeiro tweet como um token não fungível para a GiveDirectly, uma organização sem fins lucrativos que ajuda os mais pobres do mundo.

Em 2021, o maior impacto da filantropia no mundo pode surgir do divórcio iminente de Bill e Melinda Gates, dependendo de como a Fundação Bill e Melinda Gates, avaliada em US$ 50 bilhões, for afetada. French Gates anunciou em 2020 que Pivotal Ventures, sua empresa de investimento e incubação, faria parceria com Scott para lançar o Equality Can’t Wait Challenge, que dará um prêmio de US$ 30 milhões para organizações que apresentarem maneiras de promover o poder das mulheres até 2030.

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Esforços também estão em andamento no Congresso para estimular os ricos a fornecer dinheiro para instituições de caridade com mais rapidez. Pessoas ricas muitas vezes tiram proveito de uma redução de impostos que permite colocar dinheiro em fundos de investimento e adiar decisões sobre onde eventualmente colocar dinheiro. Incentivos fiscais para o uso dos chamados fundos ‘aconselhados por doadores’ podem chegar a 57 centavos por dólar.

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