Bloomberg — A Hermès não registrou crescimento nas vendas na região que inclui a China no último trimestre, um sinal de que a fabricante da bolsa Birkin não está imune às restrições aos gastos que afetam os consumidores chineses.
A receita na Ásia-Pacífico, excluindo o Japão — o maior mercado do grupo de luxo —, permaneceu estável em taxas de câmbio constantes no terceiro trimestre, informou a Hermès International nesta quinta-feira (22). Esse resultado ficou aquém das expectativas dos analistas, que previam um crescimento de 1,55%. A região gera cerca de 42% da receita total da Hermès.
Os resultados “provavelmente tornarão este um dia muito difícil”, escreveu James Grzinic, analista da Jefferies, em uma nota.
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As ações caíram até 7% no início do pregão em Paris e registram queda de cerca de 40% neste ano, o que as coloca a caminho do pior desempenho anual desde que a empresa abriu o capital em 1993.
O contexto macroeconômico na China é difícil, com uma crise imobiliária e mercados financeiros em dificuldades, além de uma recente medida das autoridades para tributar patrimônios no exterior, o que está prejudicando a clientela mais rica, disse o diretor financeiro Eric du Halgouët a repórteres durante uma teleconferência. No geral, as vendas da Hermès no período aumentaram 4,3%, um aumento menor do que o esperado.
Consequências dos distúrbios
Na semana passada, a rival LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton divulgou vendas decepcionantes, prejudicadas pelos resultados na China — incluindo uma controvérsia envolvendo sua maior marca, a Louis Vuitton.
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Analistas têm manifestado preocupações quanto à capacidade da Hermès de preservar seu status ultraexclusivo, apontando para a maior disponibilidade de suas cobiçadas bolsas Birkin e Kelly, tanto nas lojas quanto em plataformas de venda de produtos usados.
A Hermès também está lidando com as consequências dos distúrbios do fim de semana que abalaram a França. Sua loja em Marselha foi saqueada e “não reabrirá tão cedo”, afirmou du Halgouët.
Lojas em Nantes, Lyon e na avenida George V, em Paris, próxima aos Champs-Élysées, tiveram suas vitrines quebradas pelos manifestantes. Desde então, a Hermès reforçou as medidas de segurança.
“Ainda é muito cedo para avaliar se isso terá impacto sobre a clientela de turistas estrangeiros nas próximas semanas”, acrescentou ele.
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