Com SoftBank como sócio, MadeiraMadeira expande operação logística após dobrar receita

Varejista de móveis tem investido em novos centros de distribuição e em automação mesmo diante da retração do setor; empresa dobrou o faturamento desde 2021 e lucra de forma recorrente, segundo disse o CFO Júlio Alves à Bloomberg Línea

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Bloomberg Línea — A MadeiraMadeira abriu centros de distribuição em Salvador, Ribeirão Preto (SP) e São José do Rio Preto (SP) nos últimos 12 meses e passou a automatizar unidades em Minas Gerais e em Jundiaí (SP), com recursos gerados pela própria operação.

A expansão ocorre enquanto o mercado de móveis encolhe, com crédito restrito e famílias endividadas, e a varejista cresce a dois dígitos.

A varejista de móveis e itens para o lar vende sem manter estoque, no modelo de dropshipping (em que os produtos ficam com os fornecedores até a venda), e transporta a maior parte dos pedidos com frota própria.

Em julho, registrou a maior rentabilidade de sua história, segundo revelou o CFO, Júlio Alves, à Bloomberg Línea.

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O avanço vem de longe. O faturamento mais que dobrou entre 2021 e 2025, com crescimento de cerca de 110%, desde a rodada de US$ 190 milhões que avaliou o negócio como unicórnio, termo usado para startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, informou a empresa.

O aporte, de janeiro de 2021, foi co-liderado pelo SoftBank Latin America Fund e pela gestora Dynamo.

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Alves contou que a operação dá lucro líquido recorrente há 12 meses e não consome caixa. Por ter capital fechado, a plataforma não divulga valores absolutos de receita, lucro ou investimento, mas o executivo atribui o desempenho ao modelo asset light (de poucos ativos próprios).

“Na verdade, a gente tem um modelo de negócio que, por ser asset light, é gerador de caixa. Então, quanto mais a gente cresce, mais a gente gera caixa”, disse Alves.

O executivo descreve uma operação integrada de ponta a ponta, que conecta mais de 700 fornecedores ao consumidor final e oferece serviços como montagem de móveis e pequenos reparos. A varejista atua nos modelos 1P (venda direta) e 3P (marketplace, com vendas de lojistas parceiros), com peso maior no primeiro.

Frete pesa até 20% no custo do móvel

A logística é onde a dona da MadeiraMadeira concentra os maiores esforços de eficiência. No fim de 2025, a empresa abriu três centros de distribuição, entre eles o de Salvador, e expandiu a operação em Mauá (SP). Os galpões, inclusive os novos do interior paulista, são alugados, com diferentes modelos de contratação, segundo o CFO.

O frete responde por 15% a 20% do custo final de um móvel, com variações por região, de acordo com Alves. Mais de 85% da operação logística é feita internamente, por uma transportadora própria, o que permite capturar ganhos contínuos de produtividade e controlar prazo e qualidade da entrega.

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“A gente fala que o transporte de itens pesados é uma grande barreira de entrada nesse setor e que a gente acredita ter um papel singular de liderança nele”, afirmou o executivo.

Os investimentos em logística caminham ao lado das plataformas de tecnologia, que sustentam o dropshipping, o marketplace, os serviços financeiros e os serviços para a casa. A taxa de avarias e devoluções não é divulgada, mas vem melhorando de forma contínua, assim como o nível de serviço e a satisfação dos clientes, segundo Alves.

Desconto à vista como contrapeso aos juros

O crescimento contrasta com o mercado. Segundo o CFO, as vendas de móveis recuaram com força de 2025 para 2026, com crédito mais caro e renda das famílias comprometida por dívidas. O varejo físico atravessa um momento mais adverso, enquanto o online ganha usuários e recorrência.

Alves atribui o avanço à conquista de clientes de concorrentes em retração e à chegada de compradores novos, atraídos pela oferta digital combinada com pontos físicos. Ele não soube precisar o peso de cada fator.

Como o setor depende do parcelamento, a varejista incentiva o pagamento à vista com descontos, para compensar o custo do dinheiro. Com isso, mantém contas a receber mais curtas que as de concorrentes e opera com ciclo financeiro negativo, isto é, recebe dos clientes antes de pagar os fornecedores. Os prazos negociados com fornecedores são tratados como estratégicos e não são divulgados.

Sem dívida e com caixa próprio para investir, a plataforma dispensa novos aportes em 2026 e 2027, segundo o executivo. O SoftBank e a Dynamo mantêm participação relevante no capital e assentos no conselho, informou a empresa, que não divulga a composição acionária.

“Para fazer frente às necessidades do negócio, muito pelo contrário, a gente tem uma posição bastante sólida e única no setor em que a gente atua”, disse Alves.

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