Bloomberg — As vendas da maior divisão da LVMH sofreram uma queda acentuada, à medida que o agravamento das condições econômicas e uma reação negativa dos consumidores na China afetaram sua principal marca, a Louis Vuitton.
A receita da unidade de moda e artigos de couro caiu 5% no terceiro trimestre em termos orgânicos, informou a LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton SE nesta segunda-feira, 12, uma retração maior do que a prevista pelos analistas. As vendas totais do grupo de luxo também ficaram aquém das estimativas.
“Esses resultados confirmam uma estagnação no já frágil ímpeto de recuperação observado no início do ano”, afirmou a analista Piral Dadhania, do RBC, em uma nota.
Os American Depositary Receipts (ADRs) da LVMH caíram até 3,6% em Nova York após a divulgação dos resultados. As ações do grupo despencaram mais de 40% neste ano em Paris, numa trajetória que pode representar o pior desempenho anual desde a crise financeira global de 2008.
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As vendas da Louis Vuitton foram afetadas na China depois que a marca venceu uma disputa de marca registrada contra a Molly Tea, uma fabricante local de chá, conforme informou a Bloomberg News no mês passado.
A vitória gerou uma reação negativa por parte dos consumidores chineses, que consideraram injusto que o maior grupo de luxo do mundo levasse uma empresa muito menor aos tribunais.
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A diretora financeira da LVMH, Cecile Cabanis, afirmou que é difícil quantificar o efeito exato do caso da Molly Tea nas vendas da Louis Vuitton, mas que a reação negativa dos consumidores “teve um impacto negativo, pelo menos no início do trimestre”.
A região que inclui a China registrou uma queda de 5% nas vendas, sendo a única área com desempenho negativo no período.
De maneira mais ampla, as esperanças de uma recuperação no setor de luxo como um todo foram prejudicadas este ano não apenas pela demanda chinesa em baixa, mas também pelo conflito prolongado no Oriente Médio e pela menor confiança do consumidor.
Embora grande parte do setor esteja sentindo os efeitos da desaceleração, as ações da LVMH apresentam o pior desempenho neste ano entre os principais grupos de luxo, seguidas pelos papéis da rival Hermès.
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Quando questionada sobre a lucratividade no segundo semestre, Cabanis disse aos analistas que, embora a LVMH esteja trabalhando para aumentar a eficiência, o corte de custos no curto prazo não aumentará as vendas. “Não tenho certeza se conseguiremos compensar totalmente a pressão sobre a receita no curto prazo, mas continuamos nos empenhando”, afirmou.
Ao falar sobre a Christian Dior Couture, Cabanis disse que as criações de prêt-à-porter feminino do estilista Jonathan Anderson estão obtendo “ótima aceitação” entre as clientes. As novas bolsas, porém, têm demorado um pouco mais para conquistar as consumidoras.
Anderson assumiu o cargo de diretor artístico no ano passado para revitalizar a marca, que vem perdendo participação de mercado para a rival Chanel.
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