Magnata colombiano avança em corrida de petróleo na Venezuela com acordo de US$ 500 mi

Jaime Gilinski, homem mais rico da Colômbia, obteve direitos de 25 anos sobre o campo Bare sem investimento inicial e concordou em trocá-los por novas ações da GeoPark; empresa quer elevar a produção diária do campo de 11 mil para 95 mil barris

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Bloomberg — Jaime Gilinski, o homem mais rico da Colômbia, está prestes a transformar um contrato de um campo petrolífero venezuelano, que lhe custou quase nada, em uma participação de US$ 500 milhões em uma produtora de petróleo da América Latina que pode passar ao seu controle.

A forma como Gilinski obteve os direitos sobre o campo Bare e, em seguida, concordou em trocá-los pelo controle majoritário da GeoPark é um dos exemplos mais ousados até o momento da corrida pela riqueza em andamento na Venezuela.

Após anos de má gestão e sanções devastadoras, a Venezuela emergiu como o epicentro da reafirmação do domínio hemisférico dos Estados Unidos pelo governo Trump, ao mesmo tempo em que atrai multidões de investidores bem relacionados que apostam na tão alardeada recuperação do país impulsionada pelo petróleo.

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Poucos agiram tão rapidamente quanto Gilinski, cujo negócio ilustra como o sistema opaco de alocação de recursos da Venezuela na era pós-Maduro pode transformar um contrato estatal em um cobiçado ativo privado, sem qualquer investimento inicial.

Os detalhes do negócio de Gilinski foram reunidos por meio de documentos regulatórios e de pessoas familiarizadas com o negócio, bem como de especialistas que solicitaram anonimato ao discutir assuntos comerciais delicados.

Outros negócios de petróleo na Venezuela são menos transparentes, em parte porque não envolvem empresas de capital aberto como a GeoPark.

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Gilinski se recusou a comentar para esta reportagem. O executivo, cujo patrimônio é avaliado em US$ 40 bilhões de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, inicialmente fez fortuna no setor bancário.

Recentemente, ele multiplicou seu patrimônio por meio de uma aquisição hostil da maior fabricante de alimentos embalados da América Latina — a Nutresa —, que ele planeja utilizar para vender café, biscoitos e outros produtos na Venezuela.

Depois que as forças dos Estados Unidos derrubaram o ditador Nicolás Maduro em janeiro e o governo Trump flexibilizou as sanções, o filho de Gilinski, Gabriel, reuniu-se com a presidente interina Delcy Rodríguez, apoiada pelos Estados Unidos, em março, e viajou para Caracas mais de dez vezes nos meses seguintes.

Os Gilinskis avaliaram negócios envolvendo vários campos de petróleo em potencial, alguns dos quais fracassaram ou foram adquiridos por terceiros.

Gilinski não é, de forma alguma, o único a se apressar em entrar no mercado. A Pacific Coast Energy, com sede na Califórnia, começou a operar dois blocos de petróleo pesado, enquanto recém-chegados ao setor, como o cofundador da Coinbase, Fred Ehrsam — que doou US$ 1 milhão ao comitê de posse de Donald Trump para 2025 —, assinaram seus próprios acordos na Venezuela.

Figuras com presença consolidada desde a era Maduro, lideradas pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt, têm consolidado sua vantagem, enquanto empresas mais estabelecidas se posicionam para retornar ao mercado, juntando-se à Chevron e à Repsol, que nunca saíram do país.

A ExxonMobil, que em janeiro classificou a Venezuela como “inadequada para investimentos”, bem como a TotalEnergies, marcaram presença em uma movimentada conferência sobre petróleo e gás realizada em Caracas na semana passada. O frenesi empresarial desencadeou uma corrida às lojas de artigos de golfe.

O mínimo indispensável

Após meses cortejando autoridades em Caracas e Washington, Gilinski assinou no mês passado um contrato de 25 anos com o governo venezuelano para operar o campo de petróleo pesado de Bare, no cinturão do Orinoco. O local fica ao lado de um dos prolíficos blocos de petróleo da Chevron, oferecendo potencial para se beneficiar das operações da gigante.

Poucas horas depois, Gilinski concordou em transferir o contrato de Bare para a GeoPark em troca de novas ações com valor inicial de US$ 515 milhões, colocando-o no caminho para se tornar o novo acionista majoritário da empresa.

Nesse contexto, a GeoPark financiará quaisquer novos investimentos em Bare e manterá uma participação líquida de 65% no campo. O restante permanece com a estatal Petróleos de Venezuela SA, conhecida como PDVSA.

O acordo torna a GeoPark uma das pioneiras na Venezuela, com um projeto marcado por metas de produção e planos de investimento.

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A GeoPark pretende aumentar a produção diária de Bare para 95.000 barris, em comparação com os atuais 11.000 barris. Em entrevista concedida em Caracas na semana passada, o CEO da GeoPark, Felipe Bayón, afirmou que a empresa estava em negociações com a PDVSA para obter acesso a um componente essencial para o transporte do petróleo bruto, que tem consistência semelhante à do alcatrão.

A empresa tem até 120 dias para cumprir as condições contratuais para que o acordo entre em vigor, prazo que termina em dezembro. Caso o contrato de Bare expire antes disso, a transação da GeoPark será rescindida.

As ações da GeoPark (GPRK) dispararam desde a entrada de Gilinski. Caso o contrato com a Venezuela seja concretizado, espera-se que Gilinski ofereça aos acionistas atuais a oportunidade de vender até US$ 100 milhões de suas ações a um preço superior ao valor de fechamento da empresa na quinta-feira (8), de US$ 11,45 por ação.

Ações da Geopark (GPRK)

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De biscoitos ao petróleo

Logo após a destituição de Maduro, Gilinski decidiu tentar a sorte no setor petrolífero venezuelano, obtendo rapidamente a isenção de sanções necessária junto ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para abrir caminho para a conclusão do acordo. Seu filho Gabriel foi a Washington para solicitar a licença às autoridades.

Com a licença do OFAC em mãos, Gilinski também precisava de uma empresa petrolífera para entrar na Venezuela. A GeoPark, que possui uma presença sólida na Colômbia, tinha suas próprias necessidades. Na época, a GeoPark estava se defendendo de uma tentativa de aquisição hostil que Gilinski bloqueou efetivamente ao comprar uma participação de 20% na empresa em março.

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Em vez de utilizar a GeoPark para negociar um acordo petrolífero venezuelano, no entanto, Gilinski fechou o acordo com a PDVSA praticamente por conta própria. A ideia era obter os direitos sobre pelo menos um campo venezuelano e monetizá-lo, oferecendo-o à GeoPark.

A GeoPark afirmou ter participado das negociações com a PDVSA antes da assinatura do acordo sobre o campo de petróleo, detendo uma participação de 5% na Bare desde o início. Agora, ela está prestes a adquirir os 95% restantes de Gilinski, oferecendo-lhe um valor pelo campo que está cerca de 5% abaixo da avaliação determinada por seus consultores.

Em 4 de setembro, Gilinski surpreendeu seus novos colegas do setor petrolífero ao aparecer ao lado da presidente Delcy Rodríguez em um discurso televisionado de Caracas anunciando o acordo.

“Senhora presidente, obrigado pela sua confiança”, disse ele. “Obrigado por abrir esta porta para o Grupo Gilinski, para a GeoPark. Em nome do Gabriel e meu, muito obrigado.”

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