Bloomberg Línea — A Under Armour inaugurou nesta quinta-feira (15) sua primeira loja em shopping center no Brasil, com uma aposta que foge do padrão da marca no país: enquanto nos canais multimarcas os calçados concentram as vendas, a loja própria vai ter a roupa, em especial a feminina, como sua protagonista.
Jefferson Lemos, gerente-geral da Under Armour no Brasil, disse à Bloomberg Línea que o vestuário representa cerca de 50% da receita nos outlets que a marca mantém, uma diferença em relação ao varejo multimarcas, nos quais o calçado é mais representativo.
“Nesta loja, esperamos que o vestuário seja ainda maior, porque o tíquete médio também é mais elevado. O vestuário deve ser o protagonista, com destaque para as peças femininas”, afirmou.
A marca americana é administrada no país pela Vulcabras (VULC3), dona da Olympikus e representante da japonesa Mizuno. Até aqui, o grupo só mantinha lojas próprias da Under Armour no formato outlet, sendo sete unidades ao todo.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
O novo espaço, localizado no Shopping Villa Lobos, em São Paulo, trabalha com 250 a 300 itens no portfólio de produtos (SKUs), ante mais de 1.000 no e-commerce, e destina 80% da área a vestuário e acessórios e 20% a calçados.
Leia também: Skechers entra na disputa pela corrida de rua e mira mais de 100 lojas no Brasil
O ambiente, segundo Lemos, remete às lojas da marca nos Estados Unidos, em um formato que não existia no Brasil, e será uma espécie de laboratório para a marca definir os próximos passos da estratégia.
Sobre as expectativas para a abertura de novas unidades no formato, o executivo foi cauteloso. “Por ora, a nossa meta é aprender, fazendo um negócio sustentável e que entregue valor para os nossos clientes”, disse.
Vestuário
Para o público feminino, a loja leva a linha de compressão, segmento em que a Under Armour nasceu - e que representa 20% da receita da marca nos Estados Unidos -, e peças de toque macio pensadas para academia e treino, além de itens de uso cotidiano.
Lemos afirma que a proposta é trazer ao consumidor brasileiro produtos comuns em outros mercados e pouco disponíveis no país, com atenção ao conforto das mulheres.
“O vestuário é um canal que nós temos muito para desenvolver”, disse o executivo, que não informou projeções de faturamento da unidade.
A corrida, por sua vez, é tratada como um “universo novo de faturamento” para a companhia e para a operação brasileira. A loja expõe o Velocity Elite 3, modelo global de corrida que chega a R$ 1.999 e marca o teto da faixa de preços.
Foi com o modelo que a queniana Sharon Lokedi chegou em segundo lugar na maratona de Chicago, em 11 de outubro. E ainda os modelos Non-stop e Endless, concebidos no Brasil e lançados em abril na linha de performance.
Concorrência
A abertura da loja acontece em um momento de movimentação mais ampla do varejo esportivo, em que as marcas ampliam as suas estratégias e, além de multimarcas e atacado, investem em lojas próprias em shoppings de alta renda paulistanos, caso de On, Hoka e Skechers, para criar novos pontos de contato direto com os consumidores.
Leia também: On mira mercado de futebol dominado por Adidas e Nike depois de crescer em corridas
A Under Armour vive uma assimetria entre matriz e filial. Fundada em 1996 e sediada em Baltimore, a companhia fechou o ano fiscal encerrado em março com receita global de US$ 5 bilhões, queda de 4%, enquanto a América Latina cresceu 22% e é a região de maior expansão para a empresa.
No Brasil, a velocidade de resposta ao consumidor passa pela estrutura da Vulcabras. Lemos citou o centro de inovação do grupo em Parobé (RS), onde trabalham cerca de 600 pessoas dedicadas ao desenvolvimento de produtos, e disse que a equipe de desenvolvimento viaja todo ano à China em busca de novidades tecnológicas. Para ele, o diferencial está em entender rapidamente as necessidades do consumidor e transformá-las em produto.