Bloomberg — O Brasil registrou a menor taxa de desmatamento da Amazônia da história entre agosto de 2025 e julho de 2026, resultado recorde que reforça o discurso ambiental do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove dias da eleição em que enfrentará o senador Flávio Bolsonaro.
O desmatamento despencou 41,8%, em relação ao período anterior. A área desmatada foi de 3.335 km², o menor valor desde o início do monitoramento, em 1988, segundo dados apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente em entrevista coletiva em Brasília, nesta sexta-feira (16).
Esta queda representa uma forte reversão em comparação à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando o desmatamento atingiu o maior nível em 15 anos. Seu governo desmontou a estrutura de governança do Fundo Amazônia e abandonou o plano federal de combate ao desmatamento que havia sido um dos pilares dos esforços do país para proteger a floresta.
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Desde que voltou ao poder, em 2023, Lula restabeleceu as normas do PPCDAm (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal), criado por ele em 2004, reativou o Fundo Amazônia e reforçou a fiscalização ambiental.
O governo intensificou o combate ao garimpo ilegal e ao desmatamento, restringiu o acesso ao crédito rural para propriedades com infrações ambientais e criou milhões de hectares de áreas protegidas, de unidades de conservação a terras indígenas.
As medidas foram acompanhadas por uma queda contínua na destruição da floresta. O desmatamento da Amazônia recuou 31% em 2024 ante o ano anterior, depois de uma redução superior a 20% em 2023.
O anúncio da mínima histórica deste ano ocorre em meio a um avanço dos incêndios na Amazônia, alimentados pelo El Niño, pelas mudanças climáticas e pela ação humana. O número de incêndios no Amazonas aumentou 253% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados oficiais. Uma força-tarefa de bombeiros foi mobilizada para controlar as chamas.
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Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, afirmou que os dados representam uma conquista histórica. “Eles colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, com vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa”.
A disputa presidencial colocou o futuro da política ambiental no centro das atenções. Grupos de defesa do meio ambiente alertam que uma vitória de Flávio Bolsonaro pode colocar em risco os avanços recentes, citando o histórico do governo de seu pai e propostas que poderiam enfraquecer a fiscalização ambiental.
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Os dados também podem dar ao governo Lula mais argumentos nas negociações comerciais com os EUA. Como parte da investigação da Seção 301 sobre o Brasil, que já dura um ano, o representante de comércio dos EUA acusou o país de historicamente não aplicar de forma adequada o arcabouço legal contra o desmatamento ilegal e incluiu essa questão entre as justificativas para tarifas punitivas sobre produtos brasileiros.
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