Mercados

Centauro, Sabesp e Coelba suspendem venda de títulos locais, dizem fontes

Piora das condições do mercado doméstico de crédito após colapso da Americanas leva empresas de diferentes setores a adiar a emissão, segundo a Bloomberg News

Empresa buscava colocação de papeis no mercado neste começo de 2023, segundo fontes
Por Cristiane Lucchesi e Vinícius Andrade
06 de Março, 2023 | 05:18 PM

Bloomberg — A turbulência no mercado de crédito brasileiro fez com que diversas empresas suspendessem vendas de títulos de dívida local, com bancos e investidores mais cautelosos após a implosão da varejista Americanas (AMER3).

A Coelba (CEEB5), unidade da Neoenergia (NEOE3), suspendeu sua emissão de debêntures depois que os bancos líderes acionaram a chamada cláusula “market flex”, que permite mudanças nas condições da transação; e o Grupo SBF (SBFG3) e a Sabesp (SBSP3) colocaram planos iniciais para possíveis emissões em compasso de espera, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que pediram para não serem identificadas porque as discussões não são públicas.

LEIA +
Crise da Americanas pressiona e encarece o mercado de títulos privados

A rede brasileira de pet shops Petz (PETZ3) disse no mês passado que adiou a venda de títulos da dívida enquanto aguarda melhores condições de mercado. Neoenergia, Grupo SBF (dono da Centauro) e Sabesp não responderam imediatamente a pedido de comentário.

Em nota, a Neoenergia disse que “a companhia sempre avalia as oportunidades de mercado e entendeu que seria melhor adiar a emissão e que avalia outras alternativas de financiamento.”

PUBLICIDADE

O colapso da Americanas em janeiro alimentou preocupações sobre uma potencial crise de crédito na maior economia da América Latina, levando a um aumento nos prêmios de risco e menor apetite por parte do investidor doméstico.

Os títulos de dívida corporativa brasileira lideraram as perdas entre pares latino-americanos em fevereiro depois que a turbulência piorou ainda mais as perspectivas para as empresas que já tinham que enfrentar altas taxas de juros.

As empresas brasileiras emitiram cerca de R$ 18,45 bilhões em dívida corporativa local neste ano, uma queda de 38% em relação ao mesmo período em 2022, segundo dados compilados pela Bloomberg News.

PUBLICIDADE

Veja mais em Bloomberg.com

- Matéria atualizada às 14h05 de 7 de março, com o posicionamento oficial da Neoenergia.

Leia também

Crise do varejo: Casas Bahia fecha loja na antiga sede do Mappin no centro de SP

Calote de empresa em fundo da Pimco gera alerta no mercado de imóveis nos EUA

Marisa busca renegociação para evitar recuperação judicial, dizem especialistas