Mercados

Cielo: alta de 100% da ação no ano e troca de CEO. Bancos dizem o que esperar

Gigante de maquininhas reforça área comercial com apostas em melhorias na plataforma e serviços bancários; empresa anuncia saída do CEO Gustavo Sousa

Cielo reajustou os preços de serviços em abril e agosto, entregando um resultado do segundo trimestre acima das expectativas do mercado
03 de Agosto, 2022 | 03:55 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — A ação da Cielo (CIEL3) atingiu nova cotação máxima em 52 semanas durante o pregão nesta quarta-feira (3), negociada a R$ 4,85 no fechamento (+9,73%), após a divulgação de resultados acima das expectativas de mercado, reajustes de preços de serviços cobrados de clientes e a abertura de 400 vagas para expansão comercial de sua plataforma.

A empresa de meios de pagamento eletrônico renovou as apostas no crescimento de produtos como SaaS (Software as a Service) e em pagamentos de serviços bancários. No ano, o papel já acumula valorização superior a 100% - de 112,72% para ser mais preciso - sendo a maior valorização no Ibovespa em 2022. A ação encerrou o ano passado negociada a R$ 2,28.

A companhia anunciou também uma troca de comando, com a saída do CEO Gustavo Sousa. O cargo será ocupado interinamente por Renata Daltro dos Santos, VP Comercial de Grandes Contas.

Gustavo concluiu sua missão como gestor. A decisão foi conjunta com o board. A estratégia da companhia não vai mudar, mas começa um novo ciclo de crescimento”, comentou o CFO da Cielo, Filipe Oliveira, em teleconferência com analistas de bancos, evitando dar detalhes sobre o processo de escolha do novo CEO no mercado.

PUBLICIDADE

Entre abril e junho, o lucro líquido recorrente da Cielo atingiu R$ 383 milhões, um aumento de 112% na base anual, ficando 45% acima do esperado pelo mercado, destacou relatório do Itaú BBA, que considerou o resultado da companhia “muito positivo”.

Joint venture entre a Cielo e o Banco do Brasil (BBAS3) para gestão de contas de pagamento, a Cateno contribuiu com o crescimento de receita de 33% e do Ebitda de 45% na base anual. O “yield” de receita atingiu 0,71% no segundo trimestre, 0,04 ponto percentual acima do primeiro. Oliveira explicou que a Cielo fez uma reprecificação em abril e, em menor magnitude, no começo de agosto.

Na conversa com os analistas, o CFO disse que a adição de 400 funcionários à força comercial da companhia, apesar de representar uma pressão de custos, vai buscar ampliar a escala operacional da Cielo em um cenário cada vez mais competitivo no varejo. O mercado de maquininhas tem competidores como a Getnet, do Santander (SANB11), a Stone (STNE) e a PagSeguro (PAGS).

O executivo, no entanto, descartou o risco de uma “guerra de preços” e considerou que há “preços saudáveis” no segmento, um ambiente diferente de 2019, quando o ambiente de precificação era “bastante agressivo”. Em abril, a PagSeguro também reajustou seus preços.

PUBLICIDADE

“A companhia está se questionando se há ainda espaço para fazer mais ajustes no curto e médio prazo”, admitiu o CFO.

Base de clientes

O executivo disse que há dificuldades de renegociar preços com clientes de grandes contas, mas que a companhia vai buscar esse objetivo. A Cielo terminou junho com uma base ativa de 1.109 clientes, abaixo da posição de março (1.125) e de dezembro (1.207).

No número total, a base ativa encerrou o segundo trimestre 1,4% inferior ao primeiro trimestre devido à suspensão na política de concessão de subsídios para terminais de captura (POS) na modalidade de venda, que impacta principalmente as afiliações no segmento de empreendedores”, informou a companhia.

Considerando estabelecimentos comerciais que realizaram pelo menos uma transação com a Cielo nos últimos 90 dias, a base ativa do varejo, segmento foco da companhia, apresentou crescimento de 1,1% sobre o primeiro trimestre, segundo a credenciadora.

As receitas líquidas atingiram R$ 1,568 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 34,3% na base anual. “Em relação ao primeiro trimestre, as receitas registraram crescimento de 18,3%, refletindo a expansão de 11,4% no volume capturado e a recuperação do yield”, comentou a companhia.

Venda da MerchantE

Já relatório do Bank of America considerou que as ações da Cielo já anteciparam as melhores tendências positivas, ficando bem acima da performance do Ibovespa (desempenho negativo de 1% no ano), e mantiveram recomendação neutra para o papel.

PUBLICIDADE

O BofA também destacou que o resultado refletiu ganhos não-recorrentes principalmente da venda da MerchantE Solutions, que teve o fechamento anunciado em abril. A venda da empresa de pagamentos baseada nos EUA teve um impacto positivo não recorrente de R$ 282 milhões no lucro líquido do trimestre.

O BTG Pactual, por sua vez, viu mais espaço para um “upside” da ação da Cielo e reforçou sua recomendação para “compra”, com preço-alvo de R$ 6. “Realmente acreditamos que os resultados do segundo trimestre podem desencadear uma nova rodada de revisões sobre os ganhos nos próximos dias, e isso poderá ser relevante”, disse o relatório.

(Atualiza às 16h40 com citação à recomendação do BTG Pactual)

Leia também

Iguatemi e Multiplan contam como planejam ampliar receitas até o fim do ano

Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

PUBLICIDADE