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Alta do token LUNA: hype ou fundamentos?

Possibilidade de altos ganhos no ano é um dos pontos fortes do projeto, na avaliação de investidor

Token nativo da blockchain Terra atingiu valorização de 216%
Tempo de leitura: 3 minutos

Por Gino Matos para Mercado Bitcoin

São Paulo — O token nativo da blockchain Terra atingiu uma valorização de 216% ao tocar sua máxima histórica. O LUNA exibia uma cotação de US$ 37,70 no dia 1º de outubro de 2021 e, no último dia 5 de abril, registrou o preço de US$ 119,18. O salto continua em expressivos 138%, mesmo se considerado seu preço atual, em torno de US$ 90.

Os investidores mais experientes do mercado de criptoativos que acompanharam o movimento de alta logo buscaram justificativas. Seria a boa fase da Terra uma questão de hype ou apenas o reflexo de bons fundamentos?

O ecossistema da Terra

De forma resumida, o objetivo da Terra é impulsionar a adoção das criptomoedas como meio de pagamento. Para isso, os criadores do projeto desenvolveram stablecoins – tokens cujo preço segue a cotação de um ativo real – como resposta à maior barreira do uso de criptoativos no comércio: a volatilidade.

Dentre as sete stablecoins criadas, a que mais se destaca é a TerraUSD (UST), que segue a cotação do dólar. Ou seja, 1 UST equivale a US$ 1. Diferentemente de stablecoins mais conhecidas, como o USDT, da Tether, o UST não possui lastro. Sua paridade com o dólar é mantida por meio de um mecanismo do qual o token LUNA faz parte. Para o investidor que se identifica como Luis, do Portal DeFi, “a correlação de queima do LUNA para gerar UST é um dos atrativos desse ecossistema.”

O termo ‘queima’ é usado para dizer que um token foi tirado de circulação, sendo a queima parte fundamental da relação entre UST e LUNA. Simplificando o processo, cada UST só pode ser gerado queimando o equivalente a US$ 1 em LUNA. Por exemplo, se um token LUNA vale US$ 100, é necessário usar 0,01 do token nativo da Terra para gerar 1 UST. Também é possível fazer o contrário, usando UST para adquirir o equivalente em LUNA.

Simplificando: se há muita demanda pela stablecoin UST, o token LUNA é tirado de circulação, e a redução da oferta impacta positivamente seu preço. O resultado é um suprimento elástico, onde a demanda acompanha os movimentos do mercado e garante que não haverá oferta excessiva.

É importante ter em mente que esse tipo de controle do pareamento depende do interesse de investidores. Por isso, a Terra cria aplicações que captam o interesse de usuários, garantindo que o UST seja cada vez mais utilizado.

Incentivos do projeto

Ainda sobre os incentivos que a Terra dá aos seus usuários, Luis avalia que existem duas ferramentas principais que atraem a atenção dos investidores. Uma delas é a Anchor Protocol, onde é possível ‘travar’ (procedimento conhecido como staking) o suprimento de UST e receber rendimentos de até 19,5% ao ano. “Essa é uma das poucas aplicações que servem como conta poupança para os leigos, oferecendo rendimentos expressivos com certa estabilidade.”

O cofundador do Portal DeFi acrescenta que os ganhos da Anchor Protocol supera diversas opções das finanças descentralizadas (DeFi, na sigla em inglês). Além disso, existe certa garantia de que o ativo em staking não mitigará os ganhos com variações negativas de preço, ao se basear em um token cujo preço acompanha a cotação do dólar.

Sobre staking, o protocolo Terra também exibe vantagens para os investidores que decidirem travar seus tokens LUNA. São os chamados airdrops, nome dado às distribuições de token no mercado cripto. Ao fazer staking de certa quantidade de LUNA, investidores se tornam elegíveis para receber tokens de outros projetos, como uma espécie de renda passiva. Luis entende que esse é outro ponto atrativo do ecossistema.

Compras de Bitcoin

Nas últimas semanas, a Luna Foundation Guard, instituição criada para fomentar o ecossistema Terra e proteger o pareamento do UST com o dólar, chamou atenção com suas compras de Bitcoin. A LFG já conta com quase 40 mil Bitcoins em seu tesouro.

O objetivo é criar mais um mecanismo semelhante à dinâmica de trocas entre UST e LUNA, mas usando Bitcoin. Além do Bitcoin, a LFG acrescentou US$ 100 milhões do token AVAX, do protocolo Avalanche, às suas reservas. A ideia de criar uma reserva preenchida com outras criptomoedas parece ter cativado os entusiastas deste mercado, causando um salto no preço do token LUNA.

Apesar dos fundamentos aparentemente fortes justificando a valorização, o ecossistema Terra ainda pode ser vítima de falhas de segurança, má gestão e outros infortúnios. Em um mercado onde uma semana pode parecer um mês, os tokens UST e LUNA precisam provar que resistem ao teste do tempo.

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