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VCs de criptomoedas embutem vantagens sobre fundos tradicionais

Para investidor, modelo tem participantes com capacidade de enxergar com mais clareza os projetos promissores

Cripto nativos guardam diferenças em relação aos fundos tradicionais especialmente em relação à admissão de participantes
Tempo de leitura: 3 minutos

Por Gino Matos para Mercado Bitcoin

São Paulo — O segmento de criptomoedas tem instrumentos de investimento próprios, inspirados nos modelos centralizados do mercado tradicional, como empréstimos, financiamentos, derivativos e negociações de ativos. Na mesma linha, o ambiente de finanças descentralizadas (DeFi, na sigla em inglês) conta com seus próprios fundos de capital de risco, chamados de ‘cripto nativos’

Para o investidor conhecido como The Bull, cofundador do fundo 0xVentures, ser um projeto nativo do ramo de criptomoedas garante vantagens únicas em relação aos fundos do mercado tradicional que se aventuram em novos projetos de moedas digitais. “Os usuários de cripto membros de nosso fundo possuem habilidades para decifrar quais projetos são promissores e quais devemos evitar.”

CL, integrante anônimo e um dos cofundadores do fundo eGirl Capital, fez comentários na mesma linha de raciocínio durante sua participação no podcast The Scoop. Para CL, fundos com membros que já são do mercado de criptomoedas entendem melhor os projetos desse setor.

Qualidade em vez de quantidade

Os ‘cripto nativos’ também se diferenciam dos fundos tradicionais no que diz respeito à admissão de novos membros. Enquanto os tradicionais qualificam investidores com base no capital disponível para investimento, fundos como o 0xVentures fazem uma sabatina com os interessados.

No questionário da 0xVentures, por exemplo, entram perguntas para os interessados como o tempo de experiência, projetos de DeFi que utilizam atualmente, perfis em redes sociais, endereço da principal carteira com a qual interagem com protocolos e o nível de apetite por risco. Em suma, não é possível obter aprovação sem demonstrar experiência com finanças descentralizadas.

“Queremos estar na vanguarda de DeFi e outros desenvolvimentos. Já existem diversas formas pelas quais investidores do varejo podem investir em finanças descentralizadas, e não é algo que temos interesse em oferecer. Queremos participantes que tenham convicção de que o projeto que buscamos é conhecimento”, diz The Bull.

É preciso lembrar que a busca por membros experientes limita consideravelmente o número de integrantes do fundo, efeito que é proposital e considerado pelo cofundador da 0xVentures como positivo. “Nosso número restrito permite que nos conheçamos melhor e entendamos quais sinergias temos para aproveitar nossas habilidades em discussões, pesquisas e outras áreas.”

As práticas mencionadas por The Bull são comuns aos fundos nascidos no meio cripto. Isso significa que elas também se aplicam em certo grau a outros fundos, como MetaCartel, TheLAO e o brasileiro Degens Capital. Outro ponto em comum compartilhado por esses coletivos de investimento é o sigilo quanto à identidade tanto de membros quanto de organizadores.

Anonimato como ponto forte

O anonimato se torna recorrente em fundos cripto nativos em razão de grande parte deles se organizarem em DAOs, sigla em inglês para organização autônoma descentralizada. Ou seja, não há mesa de diretores, tampouco um presidente para o fundo. Todas as decisões são tomadas via votações entre os membros.

O modelo de organização em DAOs parece estar em alta, seja para organizar fundos ou não. Dados do portal DeepDAO apontam que, hoje, US$ 12,3 bilhões estão guardados nas tesourarias de 220 diferentes DAOs.

Para o investidor médio, sem experiência no mercado de criptomoedas, a ideia de investir em um fundo onde todos os membros são mantidos em segredo pode soar estranha. The Bull ressalta, no entanto, que o modelo não se diferencia das finanças convencionais.

“Na economia tradicional, sua reputação é baseada no seu histórico. O mesmo acontece nas criptomoedas, onde a diferença é que sua identidade é anônima e ligada a uma trilha de transações. Lemos essas transações como um livro, e elas contam a sua história no mercado de criptomoedas. Sabemos até como você negocia. Confiamos, mas verificamos, como manda a tecnologia blockchain”, explica.

O anonimato não é pretexto para executar atividades ilícitas, na visão de The Bull, mas sim uma proteção para movimentar grandes valores em criptomoedas. Ele conclui salientando que, em muitos casos, estar anônimo funciona como uma ferramenta para evitar segregações.

“Quando você encontra um conjunto de pessoas, você percebe que interesses podem ser compartilhados e amizades podem ser formadas de maneira global e anônima. O anonimato reduz o pré-julgamento negativo das pessoas com base em histórico educacional, raça, etnia, aparência e outros. Estamos aqui focados apenas em trabalhar, debater, produzir e investir.”

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