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Tecnologia contorna gargalos, evita desperdício de alimentos e gera emprego

Avanços tecnológicos são capazes de influenciar a economia de uma região e ligar mercados que estão do outro lado do planeta de forma econômica evitando desperdícios

Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — Quando pensamos em alta tecnologia, não é raro associar a computadores ultravelozes ou novos sistemas operacionais, temas que naturalmente atraem holofotes. Raro mesmo é pensar no transporte de frutas tropicais como algo que exige importantes investimentos em pesquisa e desenvolvimento, capazes de gerar valor, capital e, por fim e tão relevante quanto, empregos.

É sobre isso que quero falar: uma tecnologia apenas aparentemente mais simples, que poucos notam, mas capaz de influenciar a economia de uma região e ligar mercados que estão do outro lado do planeta.

Não é segredo para ninguém que o sistema de transporte brasileiro é carente, ainda altamente dependente do meio rodoviário – por onde passa mais da metade da nossa produção agrícola-, com estradas com infraestrutura precária, que acarretam em perdas para todos, desde multinacionais a pequenos transportadores.

Estamos entre os 10 países que mais perdem alimentos no mundo, algo inaceitável por si só, mas que alarma levando em consideração as cerca de 50 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza

Trata-se de um problema estrutural e que requer ações importantes de governos. Do lado privado, boa parte das empresas trabalha para minimizar esse cenário, e é aí que a tecnologia entra para auxiliar neste transporte, sobretudo com embalagens capazes de aumentar tanto a resistência de produtos perecíveis a impactos quanto sua vida útil. Ou seja, mantendo-os frescos por mais tempo, garantindo mais ganhos.

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Essa “simples tecnologia” abre novos horizontes de negócios, em especial, exportações de frutas brasileiras para a Europa e a China, onde a indústria de embalagens já fez testes com o envio de 20 toneladas de melão via marítima, viagem que durou um mês e resultou em frutas em perfeito estado para consumo na chegada ao destino final. Ou seja, conseguimos vender produtos perecíveis para mercados longínquos, com grande potencial para incluir outros tipos de alimentos e mercadorias.

Mas só com frutas, o potencial de negócio já é enorme. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 2021 as exportações de frutas brasileiras superaram o patamar de US$ 1 bilhão pela primeira vez, ao embarcar 1,29 milhão de toneladas, quase 20% a mais do que no ano anterior. E o cenário previsto para 2022 não fica atrás e com possibilidades de fincar raízes em mercados menos atingidos, como o chinês, inclusive pela distância. Olha aí a tecnologia sendo suporte.

Conseguimos vender produtos perecíveis para mercados longínquos, com grande potencial para incluir outros tipos de alimentos e mercadorias

E mais do que movimentar o comércio internacional, esse ciclo virtuoso também traz importantes oportunidades de negócios na região Nordeste, cujo Produto Interno Bruto (PIB) cresce mais do que o nacional e com aptidão agrícola única, sobretudo com o aproveitamento sustentável do Rio São Francisco. Lá, as oportunidades são enormes, com a produção de uva, manga, mamão, melão e melancia, essas já mais consolidadas, mas também com culturas que crescem bastante, como o limão e a pera.

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Esses esforços, além de gerar valor para empresas, também ajuda no combate a uma das mazelas mais agudas no mundo, e em especial no Brasil: o desperdício de alimentos. Segundo a FAO, o Brasil desperdiça anualmente na venda (supermercados, feiras livres, armazéns e demais pontos) 22 bilhões de calorias, o que seria suficiente para atender as demandas nutricionais de 11 milhões de pessoas. Estamos entre os 10 países que mais perdem alimentos no mundo, algo inaceitável por si só, mas que alarma levando em consideração as cerca de 50 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza aqui, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Diante de gargalos e desafios como este que a indústria de diversos segmentos da economia investe em tecnologias que vão muito além de supercomputadores. No caso da Klabin, por exemplo, o investimento foi na ampliação de uma fábrica de papelão ondulado na cidade de Horizonte, no Ceará, região produtora de frutas para exportação. A tecnologia usada foi desenhada para atender as necessidades de conservação de produtos perecíveis, por longos deslocamentos. As fibras das embalagens são virgens, ideais para o contato direto com alimentos e capazes de resistir a impactos e a ambientes controlados de temperatura e umidade. Essa tecnologia permite dobrar a vida útil de alguns produtos perecíveis e evitar perdas com um transporte mais seguro e resistente.

As soluções tecnológicas estão aí para encurtar caminhos, reduzir perdas, ganhar eficiência, gerar valor e empregos, respeitando as necessidades e vocações econômicas de cada região. Assim, devemos seguir em frente.

Cristiano Teixeira

Cristiano Teixeira

Cristiano Teixeira é CEO da Klabin, embaixador pelo Clima da Rede Brasil do Pacto Global da Organização das Nações Unidas e membro do Business Leaders da COP26