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A caminho da Web3: descentralização, propriedade e metaverso

Rede que adota tecnologias descentralizadas, base para as criptomoedas, terá impacto nas artes, esportes, mundo das finanças, entre outros setores

Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — Depois de criar novos paradigmas de relacionamento, comunicação, consumo, ensino e trabalho, a internet caminha para uma nova fase, o da Web3. Na mente de teóricos e desenvolvedores está a criação de uma rede que adota tecnologias descentralizadas, base para as criptomoedas.

A passagem da Web2 para a Web3 é uma mudança que já está em andamento com, por exemplo, o metaverso ou os NFTs – os tokens não fungíveis. Na prática, a Web3 possibilita a criação de aplicações que estão alterando as artes, esportes e o mundo das finanças – para ficar apenas em três áreas. O metaverso terá impacto sobre o trabalho, o entretenimento e as relações sociais, entre outros.

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O mais certo seria dizer que a Web3, cujas ideias nasceram há quase uma década, não substituirá por completo a Web2, mas criará uma camada extra sobre a Web2.

De um modo resumido, a internet passou da fase em que o usuário apenas lia o conteúdo, a chamada Web1, para a Web2, no fim dos anos 90, em que podia ler e escrever, ou seja, interagir. Agora, na Web3, uma terceira ação se junta: o usuário se torna também proprietário, o que gera mais incentivos para usar a rede.

Bases da nova Web

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Como disse acima, a Web3 nasce da adoção de tecnologias descentralizadas. Isso torna a navegação mais segura, rápida e possibilita a criação de novas economias digitais, com os usuários podendo compartilhar uma blockchain sem estarem conectados à internet, numa operação P2P (peer-to-peer), e escolhendo onde armazenar seus dados.

Um relatório do Goldman Sachs (GS) de dezembro do ano passado aponta justamente que a blockchain (descrita no documento como uma das tecnologias mais disruptivas desde o surgimento da internet) é fundamental para esse processo por ser a única ferramenta que pode “identificar qualquer objeto virtual independentemente de uma autoridade central”.

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No mundo das finanças, uma das grandes contribuições da Web3 é aumentar a capilaridade de alguns produtos que antes estavam limitados a um canal de vendas, como um fundo de investimento ou agente de investimentos, ou ainda a uma região. Por exemplo, um token lastreado em ativos específicos nacionais, como dívida pública, torna-se um produto global, acessando novos pools de liquidez.

Esse processo passa também pela interoperabilidade entre as exchanges de criptoativos.

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Enquanto o mecanismo de listagem de uma ação e de seus recibos de ações – ADRs no caso do mercado americano ou BDRs no Brasil – é complexo, caro e demorado, a tokenização de um ativo pode ser feita de uma forma muito simplificada e pronta para ser listada globalmente.

Os novos processos ainda evoluirão muito, como por exemplo a conexão entre as exchanges, wallets e marketplaces, tornando a experiência do usuário mais intuitiva e com menor fricção. As empresas crypto native têm um grande trunfo nas mãos: no ano passado, receberam um volume recorde de US$ 33 bilhões em investimentos de fundos de venture capital, estão capitalizadas para investir nessas criações e fazer aprimoramentos.

Há um outro ponto interessante que é a possibilidade de fracionar ativos, ampliando o acesso a alguns investimentos até então inacessíveis para investidores não institucionais. Um apartamento em frente ao Central Park, em Nova York, é um artigo praticamente impossível de ser comprado, por conta do seu alto valor. Mas ao tokenizar esse imóvel, centenas – ou milhares – de pessoas podem ter um pedacinho desse bem.

Arte na era da Web3

O fracionamento também tem um impacto muito grande no mundo das artes. Quadros de artistas consagrados de valores incalculáveis podem ser tokenizados, com os direitos de propriedade passando para as mãos de milhares de investidores.

O sonho de possuir um Gauguin, um Dalí ou um Picasso passa a ser factível.

No mundo das artes, não é apenas o público que se beneficia com as possibilidades criadas pela Web3. Artistas terão ganhos sem precedentes. Quem cria conteúdo na Web2 depende de um modelo de propaganda que passa por um intermediário. Na Web3, o criador não precisa passar necessariamente por esse intermediário, o que aumenta seus rendimentos e ajuda-o a formar comunidades mais engajadas.

Os NFTs são justamente os instrumentos com maior poder de engajamento na Web3. Tanto para as artes quanto para os esportes. Além de poder ser uma arte ou um artigo colecionável de um momento esportivo, o NFT também é um canal de relacionamento entre o emissor, seja ele uma banda de rock ou time de basquete, e o fã que comprou o ativo.

Em março do ano passado, a banda Kings of Leon lançou o álbum When You See Yourself em NFT. Agora, ela passa a ter um canal de comunicação com o fã detentor daquele NFT, tanto o fã de hoje quanto os próximos que comprarem esse ativo no mercado secundário. Além do benefício pontual, o NFT poderá entregar ao seu proprietário novos direitos, como, por exemplo, a pré-venda de ingressos para um novo show.

Essa relação direta permite que o artista foque na qualidade dos seus fãs, no engajamento mais frequente e permanente, ao passo que na Web2 o foco ficava mais restrito à quantidade. Uma das oportunidades que artistas das mais variadas vertentes terão é converter um fã da Web2 num fã da Web3.

E os NFTs são o caminho perfeito para isso.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião dos conselhos editoriais da Bloomberg Línea, da Falic Media ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Roberto Dagnoni

Roberto Dagnoni

Roberto Dagnoni é CEO da 2TM, controladora do Mercado Bitcoin. Pós-graduado em contabilidade e economia pela FAE Business School, de Curitiba, e governança, em Harvard, o executivo passou por empresas como Cetip e B3