VC chinês dedicado a cripto vê oceano de oportunidades na AL

Interesse em regulamentação e altos índices de adoção de criptos atraem fundos de capital de risco, segundo Maggie Wu, CEO do Kryptal Group

Maggie Wu: Brasil é um dos países com papel de liderança no cenário regulatório na América Latina
Tempo de leitura: 3 minutos

Por Gino Matos para Mercado Bitcoin

São Paulo — Em 2021, os investimentos feitos por fundos de capital de risco em empresas ligadas ao mercado de criptomoedas atingiram recordes. Foram US$ 29,4 bilhões, número acima do volume investido no período de 2012 a 2020, nos dados da PitchBook Inc. publicados recentemente pela Bloomberg.

Essa onda de investimentos chegou à América Latina, sendo o melhor exemplo o aporte recebido pelo grupo 2TM da holding japonesa SoftBank, no valor de US$ 200 milhões. Brasil e México são vistos atualmente pelos fundos como regiões prósperas para o mercado das criptomoedas.

Um dos fundos com esta visão é o Krypital Group, de capital de risco, da China, que, desde 2019, investe em empresas da região vinculadas a moedas digitais. Na entrevista a seguir, Maggie Wu, CEO e cofundadora do Kryptal Group, fala sobre como a América Latina é vista pelo capital de risco que busca exposição às criptomoedas.

Mercado Bitcoin - O que é o Krypital Group e desde quando atua na América Latina?

Maggie Wu: O Krypital Group é um fundo de capital de risco fundado em 2017 com foco em empresas relacionadas a blockchain e criptomoedas. Nos últimos quatro anos, gerimos mais de US$ 1 bilhão em ativos de centenas de projetos. Também estamos envolvidos com a incubação de projetos, fornecendo consultoria e networking. Ao mesmo tempo, temos um departamento secundário de negociações, cujo objetivo é auxiliar nossos clientes a gerir seus ativos. Nosso foco na América Latina consiste em utilizar nossa visão e recursos globais para auxiliar no crescimento do mercado latino-americano de criptoativos e blockchain. Para isso, criamos a Galaxy Holdings e iniciamos nossa jornada na região em 2019. Ao criar produtos como stablecoins e carteiras temos participado do desenvolvimento do ecossistema cripto da região.

MB - Por que a América Latina é atrativa para fundos de capital de risco buscando exposição às criptomoedas? Quais países se destacam na região?

Maggie: A América Latina tem se desenvolvido de forma menos ágil em comparação a outras regiões do mundo, tornando-se um oceano a ser explorado. Ao mesmo tempo, a instabilidade das moedas nacionais de alguns países e a volatilidade das criptomoedas, somadas à baixa utilização do sistema bancário tradicional, tornaram as pessoas mais amigáveis às criptomoedas, traduzindo-se em altas taxas de adoção. Observando todos os países da região, México, Brasil, Colômbia, Argentina e Venezuela são os mais ativos. Mas também não podemos deixar de olhar para El Salvador. No geral, os fundos de capital de risco enxergam os países latino-americanos como grandes áreas de oportunidade. Em 2022, o Krypital Group investirá ainda mais, incluindo a criação de um fundo independente para dar suporte ao desenvolvimento do mercado cripto, o que envolve desde investimento em projetos até aquisição de companhias relacionadas à indústria.

MB - Em julho de 2021, você disse que via grande potencial de crescimento na América Latina até 2024. Ainda pensa assim?

Maggie: Sim, e não somente em relação à América Latina. À medida que as estruturas em blockchain amadurecem, as aplicações desse ramo continuam expandindo para diferentes áreas. Um exemplo é a recente explosão do mercado de NFTs, onde a participação global é crescente. Nesse cenário, acredito que o mercado blockchain e de ativos digitais tem, pelo menos, mais dez anos de crescimento pela frente. E a América Latina é essencial.

MB - Os fundos de investimento têm acompanhado o cenário regulatório do Brasil após os avanços feitos no fim de 2021? Qual sua opinião sobre o que aconteceu?

Maggie: Sim, temos visto que a intenção dos legisladores é tornar a regulamentação cada vez mais clara, o que é ótimo para a indústria. Atualmente, descentralizadas ou não, as empresas de criptomoedas não têm buscado brechas na lei para operar e, em vez disso, querem regras mais claras nos países onde atuam para operar respeitando a legislação. Essa tendência comprova que a indústria está amadurecendo e crescendo em uma direção sustentável. Os fundos de investimento acreditam que não apenas o Brasil, mas também o México e a Colômbia têm papel de liderança no cenário regulatório da América Latina. Não descartamos, inclusive, uma possível aliança futura entre esses países.

MB - Há algum serviço específico oferecido por startups de criptomoedas que os fundos de investimento buscam mais?

Maggie: Recentemente, os fundos de capital de risco estão mais interessados em Web 3.0, finanças descentralizadas, jogos com economia de tokens próprios, NFTs, metaverso e organizações autônomas descentralizadas (DAOs, na sigla em inglês). Na América Latina, não focamos apenas nesses serviços, dando atenção também aos produtos e companhias relacionados a tecnologias financeiras tradicionais, como pagamentos e remessas, a fim de nos ajudar a construir um ecossistema inovador de fintechs na região.

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