Research pode ser o motor de crescimento da 2TM, diz analista

Contratado em janeiro para comandar a área, André Franco chega à holding dona do Mercado Bitcoin com foco nas novas tendências do setor de criptoativos

André Franco (foto): crescimento do mercado de criptoativos, somado a seu amadurecimento, traz grandes oportunidades
Tempo de leitura: 3 minutos

Por Matheus Mans para Mercado Bitcoin

São Paulo - Formado em engenharia mecatrônica e robótica pela Universidade de São Paulo (USP), André Franco passou a integrar o time do Mercado Bitcoin no final de janeiro. Com passagem pela análise de criptoativos da Empiricus, ele chega à 2TM, holding dona da maior corretora de criptomoedas da América Latina, com o objetivo de estruturar a área de pesquisa em um momento desafiador para o mercado.

O investimento em criptoativos cresce de forma sustentada, com recorde em 2021 e expansão para novos mercados: além das moedas digitais, metaverso, NFT, tokens e De-Fi entraram definitivamente no mundo cripto. Com tantas mudanças, os desafios também crescem. Na entrevista a seguir, Franco fala sobre o mercado, as tendências e as barreiras a serem vencidas.

Mercado Bitcoin: Como foi sua entrada na 2TM?

André Franco: A decisão de entrar na holding passou pelo meu trabalho ao longo dos últimos cinco anos como analista de research. Em 2021, percebi um movimento muito claro: o mercado financeiro, que desdenhava das criptos, teve de abraçá-las devido ao interesse de clientes. Vi empresas que viveram o ciclo das criptomoedas em 2013, 2015 e 2017 e por isso tinham ampla vantagem sobre as que não vivenciaram. Você precisa ter vivido para ter insights relevantes. A 2TM é uma holding global e isso dá muita liberdade para decidir.

MB - Como será seu trabalho no Mercado Bitcoin?

Franco - Neste momento, vamos promover insights internamente: como seguir, qual conteúdo publicar para criar um branding mais forte. É preciso ter uma visão pautada em tendências. A 2TM já tinha isso, mas podemos promover insights de maneira mais profunda. Também teremos conteúdo para o investidor institucional. Queremos que a área de research seja um motor de crescimento, do ponto de vista de insights e receita.

MB: Como vê o mercado de criptomoedas no Brasil com os NFTs e metaverso?

Franco: É um momento muito diferente do de 2017 e 2018. O crescimento e as novidades, além do amadurecimento do mercado, trazem várias oportunidades. Em janeiro, vimos plataformas de negociação de NFTs batendo recordes, mesmo com o mercado caindo. Temos hoje iniciativas de finanças descentralizadas, com especialistas em NFT. Meu trabalho será o de identificar as novas tendências.

MB: Temos espaço para crescer ainda mais?

Franco: Com certeza para as aplicações. É difícil tratar de preço especificamente. Mas a pipeline de produtos, tanto do ponto de vista de projetos que já estão online e com novas versões e aplicações engatilhadas quanto dos projetos financiados com investimento privado, começa a aparecer. Para se ter uma ideia, a pipeline de produtos de um dos principais fundos mundiais, o a16z, da Andreessen Horowitz [empresa americana de capital de risco] prevê novos produtos a cada duas ou três semanas.

MB: Quais as principais tendências do mercado de criptomoedas no país?

Franco: Chamam minha atenção os NFTs. Teremos mais surpresas positivas em 2022, alinhadas aos discursos das big techs. Vimos a Microsoft adquirindo a Blizzard, que é uma empresa de jogos. Ela é muito boa em fazer o B2B, esses produtos [para empresas]. Acho que vão acertar com o metaverso para B2B. Tem ainda a ideia de NFTs aplicados em plataformas muito conhecidas, como as redes sociais. O Twitter já faz o primeiro teste, o Instagram está de olho, o Facebook virou Meta e o YouTube diz explorar possibilidades com NFT. Quando essas empresas e redes sociais colocarem tudo no mercado, podendo-se provar a posse de um NFT, abre-se um novo mundo.

MB: Como vê a regulação do mercado de criptomoedas no Brasil?

Franco: No mercado americano, por exemplo, o Fed [o banco central local) e os reguladores se preocupam com as stablecoins, criptomoedas com lastro em dólar. Para o Fed, é como se estivessem emitindo dólar. Deve ter alguma restrição nesse sentido. O Fed e os reguladores também podem ir atrás das finanças descentralizadas. Ter um mecanismo financeiro rodando em paralelo ao sistema tradicional é ruim, já que não tem o controle do Estado e do governo. No Brasil, temos um regulador atento, com movimentos positivos. Seja o BC entendendo o que é cripto ou a CVM regulando os fundos cripto e aprovando os ETFs.

MB: Teremos um bom ano para os criptoativos?

Franco: As oportunidades são gigantescas. Quando chegamos em um ciclo de experiência do usuário, que são as estruturas técnicas do back-end e entra em um ciclo de design, estamos em um segundo momento. Ainda não estamos nisso. A maioria das pessoas não entende as finanças descentralizadas. Oferecer isso de maneira palatável é o que deve acontecer. Estamos em um ponto de inflexão de cripto. É um mercado de US$ 1,7 trilhão, com potencial de atingir uma centena de trilhões de dólares.

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