BTG Pactual mantém cautela com crédito a PMEs e confiança com carteira ampla, diz CFO

Renato Cohn afirmou a jornalistas que a postura cautelosa na concessão para pequenas e médias empresas se deve aos juros altos e ao cenário econômico desafiador, mas que a qualidade dos ativos dá tranquilidade ao banco

Edifício Pátio Malzoni, na Av. Faria Lima, em São Paulo, onde fica a sede do BTG Pactual
11 de Novembro, 2025 | 05:16 PM

Bloomberg Línea — O BTG Pactual adota postura cautelosa na concessão de crédito para pequenas e médias empresas, mas segue confiante na qualidade da carteira atual e nas perspectivas de crescimento em outros segmentos.

A avaliação foi feita por Renato Hermann Cohn, CFO (Chief Financial Officer) do banco, em entrevista coletiva com jornalistas realizada nesta terça-feira (11) para comentar os resultados do terceiro trimestre, que trouxeram novos recordes em diferentes frentes, de lucros e rentabilidade ao índice de eficiência.

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As units do banco (BPAC11) subiram cerca de 2% nesta terça-feira, levando a valorização acumulada em 2025 para o patamar próximo a 93%.

A carteira de pequenas e médias empresas apresentou crescimento moderado nos últimos três trimestres, reflexo de uma decisão estratégica do banco diante do cenário econômico.

“[A decisão se deve] a nossa cautela em conceder crédito em um momento mais difícil, em um ambiente de juros mais alto, em um cenário econômico um pouco mais desafiador”, explicou Cohn, ao responder a um questionamento.

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O executivo destacou que o banco aumentou provisões para perdas com crédito em cerca de R$ 1,1 bilhão a R$ 1,2 bilhão no resultado consolidado, para uma expansão de carteira em torno de R$ 8 bilhões.

O aumento das provisões está relacionado ao crescimento da carteira e não indica preocupação com eventual deterioração da qualidade dos ativos, segundo o CFO.

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“Hoje com o nosso estoque de ativos não temos nenhuma preocupação com a qualidade da carteira”, afirmou Cohn.

O executivo ressaltou que os casos de inadimplência registrados são pontuais e específicos, sem configurar problema generalizado no crédito. “Somos muito confiantes na qualidade dos nossos ativos”, disse.

Diversificação geográfica

Se por um lado tem adotado cautela com pequenas e médias empresas, o banco mantém estratégia de crescimento em outras carteiras.

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“Temos expandido carteiras com diversificação setorial e geográfica”, explicou o CFO.

“Esperamos crescer, mas não temos nenhuma obrigação. Vamos crescer desde que a qualidade do ativo seja favorável e esteja dentro do nosso apetite a risco”, afirmou.

A declaração reforça a estratégia do banco de manter padrões elevados de qualidade de crédito mesmo em ambiente de expansão dos negócios.

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O executivo disse que, apesar dos juros elevados, que pressionam os resultados de empresas, de modo geral as mesmas permanecem saudáveis.

“Provavelmente a partir do ano que vem o país vai começar a ter um processo de queda de juros que deve trazer um certo alívio”, projetou.

Recordes sem um evento extraordinário

Os resultados do trimestre, com recordes em diferentes linhas de negócios, refletem investimentos estratégicos realizados nos últimos anos.

“Estamos começando a colher os frutos de uma série de investimentos estratégicos. Conforme os investimentos se consolidam nas plataformas de negócios do banco, colhemos os benefícios”, disse Cohn.

O executivo destacou que o trimestre não apresentou eventos extraordinários. “O destaque é que não teve destaque. Foi reflexo da consolidação de todas as linhas, que performaram como esperamos”, afirmou.

Impacto da queda de juros

Questionado sobre as perspectivas de rentabilidade para 2026, depois do recorde de 28,1% medido pelo ROEA (retorno ajustado anualizado sobre o patrimônio líquido médio), Cohn evitou estabelecer uma meta ou projeção.

“Ainda há muita incerteza. Vamos entrar em um calendário eleitoral. A taxa de juros deve começar um processo de queda, que deve mudar um pouco [a taxa]”, disse.

O CFO disse que, quanto mais alto o patamar de rentabilidade, mais difícil mantê-la no longo prazo.

A queda esperada nos juros terá impacto na linha de receitas financeiras (especificamente em Interest & Others), que gerou R$ 1,6 bilhão no trimestre e representou 19% da receita total.

Cohn explicou que o efeito pode ser compensado pelo crescimento do capital do banco. “Depende da velocidade com que eu adiciono capital com a velocidade da queda de juros. Uma pode neutralizar a outra”, afirmou.

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Outro fator compensatório seria a migração de recursos dos clientes para ativos de maior risco.

“Conforme o juro cai, vemos uma possibilidade de migração de ativos de investimento para que deixem de ser praticamente 100% renda fixa.”

Essa mudança elevaria o retorno sobre os ativos nas divisões de gestão de patrimônio e gestão de recursos.

Cohn comentou também sobre a incorporação do Banco Pan: ele informou que a convocação da assembleia de acionistas deve ocorrer em dezembro. A operação será realizada por meio da troca de ações, com impacto positivo no capital do BTG.

A integração entre as instituições se concentrará na infraestrutura, com benefícios visíveis em 2027, segundo o executivo.

O CFO confirmou que o banco mantém apetite por novas aquisições em três direções estratégicas: ampliação da base de clientes, desenvolvimento de novos produtos e serviços e expansão geográfica.

Cohn citou como exemplos recentes a aquisição da JGP Wealth, da Justa para lançar o BTG Pay e a compra do HSBC Uruguai, que aguarda aprovação regulatória.

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